Chantecler CMG 2406, 1966
O Trio Boliche na verdade não é um trio. Foi um projeto desenvolvido pelo extraordinário Théo de Barros (que toca violão e baixo neste disco) e do "underrated" e obscuro organista Renato Mendes, o homem que introduziu o Moog no Brasil, vou postar mais discos do Renato aqui. Mas é em torno dos dois que gira o Trio Boliche com o luxuoso acompanhamento do "superb" baterista paulista Arrudinha.
Outros músicos que participam do ótimo disco estão listados nas notas da contracapa que reproduzo integralmente.
"A parte mais difícil em todo o trabalho de produção de um LP é - indiscutivelmente a contra-capa.
Quando se quer explicar de verdade o que são, quem são e como são os intérpretes do disco e o que é o LP; quando se quer expressar em poucas palavras e em pouco papel, toda a emoção que o "tape" gravado nos transmitiu, aí sim é que fica difícil escrever a contra-capa. Pode-se escrever direito por linhas tortas mas não se pode falar direito por palavras esquerdas. A tarefa ficaria simples demais se a gente abrisse o dicionário e procurasse uma série de adjetivos bombásticos e coloridos para preencher com os mesmos essas cinquenta linhas. Mas a boa contra-capa não pode ser apenas uma sucessão de chavões pouco convincentes e que já conhecemos de cor.
Então resolvemos conversar com o RENATO MENDES e com o THÉO, dois dos integrantes do BOLICHE TRIO, recém-nascido. Dele participam oito artistas.
É deles a palavra. É o BOLICHE TRIO quem fala:
RENATO - O BOLICHE TRIO nasceu para a juventude. Só gravaremos música popular brasileira. E só aquela que a gente achar boa mesmo. Queremos acabar com a comercialização da música.
THÉO - Faremos do BOLICHE TRIO o porta-voz da juventude do Brasil e do "movimento" de depuração da Bossa Nova. Veja, antes estávamos todos juntos. Queríamos fazer "arte pela arte", mas, interesses diferentes dispersaram os velhos amigos. Agora, com novos companheiros, tão bons quanto os primeiros, tentaremos fazer música verdadeira, despreendidos de todo fim material ou comercial.
RENATO - De nosso Trio participam , neste disco, Heitor, Arrudinha e Carlinhos na bateria, e Chú, Mathias, Nilson e Capacete ao contrabaixo. O Théo, contudo, é responsável por quase todas as faixas em que entra o baixo, e eu, eu sou o "dono" do órgão. Na faixa "Sonho de um Carnaval" - que está linda! - o solo é defendido por Paulo Queiroz, grande companheiro, recentemente desaparecido.
Bem, os rapazes já disseram tudo., Ah, não. O RENATO ainda quer acrescentar: - "Não se esqueça de dizer que o Benê, o flautista Benê, é o compositor formidável de "Plenitude" e de "Mais ou Mendes" (esta, modéstia à parte, dedicada a mim)."
Agora, acabou mesmo. Mas, cremos ser razoável e justo falar um pouco só de RENATO e do THÉO, homenagem que lhes cabe por direito de conquista e pelo inato talento.
RENATO MENDES é organista de formação clássica. Porém, foi na música popular brasileira que teve a chance de expressar todo o seu ecletismo e impressionante técnica. Já gravou um LP para a Chantecler mas é com o BOLICHE TRIO que consegue realmente completar-se, graças ao excepcional apoio rítmico do THÉO e dos demais. O bom Renato, entre outros, possui o mérito de orientar jovens que querem fazer música.
THÉO é o músico e compositor de 1a. linha. Quem não se lembra do "Menino das Laranjas", "Vim de Sant´Ana" e do "Cantador"? O rapaz faz a música que a gente, quando ouve, gostaria de ter feito. Como instrumentista, THÉO é considerado um dos melhores violonistas e baixistas do Brasil, dono de muita verve e de conhecimentos técnicos.
Depois disso tudo, o melhor a fazer é ouvi-los. Ou será que voces ainda não estão ansiosos por fazê-lo?
Ouvir o BOLICHE TRIO é estar "de bem" com a música popular moderna brasileira"
VILMA REICHFELD - "A GAZETA"
Algúem reclamou do fato de "todos" os blogueiros fazerem o upload dos discos para o Rapidshare, então resolvi utilizar o MediaFire desta vez, vamos ver o resultado.
Aproveitem!
1. Estamos Aí
(Maurício Einhorn / Durval Ferreira / Regina Werneck)
2. Fivela Preta
(Messias Santos Jr. / Pery Ribeiro)
3. Aleluia
(Edu Lobo / Ruy Guerra)
4. Mais Ou Mendes
(Benê)
5. Preciso Aprender a Ser Só
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
6. Renê
(Renato Mendes)
7. Sonho de Um Carnaval
(Chico Buarque)
8. Consolação
(Baden Powell / Vinicius de Moraes)
9. Plenitude
(Benê)
10. Amor de Nada
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
11. Jackeline Kennedy
(Heraldo do Monte / Xú Viana)
12. Festa do Samba
(Denis Brean / Osvaldo Guilherme)

Para ouvir agora:
Comentários
Muito Obrigado
Shep
um muito obrigado será pouco...apareça sempre!
Decupando o blog, gostei demais.
Bacci
Marcos
Como costumo dizer: aproveite!
Ricardo Garcia.
Ricardo Garcia: obrigado pelas palavras e não deixe de tocar o Musicalidades que já nasceu muito bom!
Silvestre:vamos ver, vamos ver. Obrigado pela visita, abraço!