Lado A

A crítica especializada raramente escreveu sobre grandes músicos brasileiros, mesmo aqueles que tiveram brilhante carreira solo, sob a alegada suposição de que o assunto seria de interesse mínimo. Entretanto, nada justifica que soberbos LP´s, cuja a esmagadora maioria jamais foi relançada em cd, sumam no limbo da nossa brasileira memória juntamente com seus intérpretes.

Lado B

Não promovemos a disseminação de música comercialmente disponível. Discografia em discos de vinil, brazilian vinyl records discography. If you need any help regarding the records please post a comment, I´ll reply, thank you.

Wanderley Taffo - Siles e seu Conjunto - Samba Society




























RGE XRLP 5021 e Beverly LPCM 4038, ambos de 1958


Quem foi Siles? Muitos poderão fazer esta pergunta diante da falta de informações acerca deste excepcional músico que atendia pelo apelido de Siles, Syles ou Silis. Então vamos lá: nascido Wanderley Taffo (Ribeirão Preto - SP), em 26 de abril de 1926, Siles demonstrou vocação para a música precocemente. Aos treze anos de idade tocava na famosa "Banda Italiana". Ainda menor, tocou, também, na casa Jazz Progresso e na Jazz Band Bico Doce (ótimo nome!), para depois tocar na PRA-7 Rádio Clube, tudo isto em Ribeirão Preto. Aos dezessete anos foi primeiro clarinete da Orquestra Sinfônica desta cidade! Transferiu-se para a Rádio Tupy de São Paulo, onde deu vazão ao seu imenso talento como músico e arranjador, chefiando o conjunto da rádio por mais de dez anos.

Ainda em São Paulo, trabalhou na TV Tupy em um programa de calouros com o animador Alfredo Borba. Voltou para Ribeirão Preto, onde novamente atuou na Orquestra Sinfônica e lecionou música no Educandário Coronel Quito Junqueira. Foi casado com a excelente cantora Rosa Pardini e teve dois filhos: os gêmeos Wanderley e Fátima. Wanderley Taffo Jr faleceu precocemente ano passado: era Wander Taffo um dos nossos maiores guitarristas, considerado um dos melhores do mundo. Siles casou-se pela segunda vez, com Célia Aparecida da Silva, com quem teve o filho Julio Ayres. Faleceu, em 15/7/1979, em sua cidade natal.

Eu tenho particular admiração por este disco, primeiramente pelos arranjos de Siles (basta ouvir a versão para samba de "Rock around the clock" e deixar o queixo cair!), em segundo lugar pelo repertório de muito bom gôsto e, por último, pela escolha dos execelentes músicos que o acompanham, só feras do naipe de Orlando Silveira no acordeon, de Esmeraldino (Mestre Esmê) no cavaquinho, de Poly nas guitarras, de Rago no violão, o baixista e o pandeirista eu não tenho certeza quem são mas arrisco, sem muito medo de errar, que são Correia e Zequinha. Quem puder ajudar, agradeço muito. A titulo de curiosidade: a faixa Samba Society é de autoria do também ribeirãopretano Altamir Penha. Brevemente vamos colocar seu disco com o irmão Edson Penha "Violões em Hi-Fi", lançado pela Farroupilha, aguardem! Por último: em breve o primeiro disco de Siles, chamado, adequadamente, Brejeirice, é ouvir para crer!

Aproveitem!

1. Samba Society (Altamir Ruben Penha)

2. Samba no Perroquet (Djalma Ferreira)

3. O Relógio da Vovó (Fafá Lemos / Chiquinho do Acordeom / Garoto)

4. No Rancho Fundo (Ary Barroso / Lamartine Babo)

5. O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa / Kid Pepe)

6. Rock Around The Clock (Freedman / De Knight)

7. Moonglow (Lange)

8. Contraste (Osvaldo Quirino / Sidney Morais)

9. Guacyra (Hekel Tavares / Juraci Camargo)

10. Caravan (Duke Ellington)

11. Cheek To Cheek (Irving Berlin)

12. Faceira (Ary Barroso)











Para ouvir agora:


Rogério Duprat - Brasil com "S" - EMI EMCB 7005 - 1974


























EMI/Odeon EMCB 7005, 1974


Este LP do maestro Rogério Duprat é bem pouco conhecido, acredito que a postagem, embora dê um salto em alguns anos na linha que vinhamos adotando, seja  bem pertinente.  A minha impressão é que Duprat paga uma espécie de "dívida" com os militares lançando um disco com repertório completamente nacionalista. Tudo por conta, suponho, do seu envolvimento com os tropicalistas e com os Mutantes. Mas, se isto é verdadeiro, Duprat o faz à sua moda.

É fácil dizer que Duprat foi o "George Martin" da geração tropicalista, uma espécie de pai, homem mais velho e responsável pelos arranjos e sacadas geniais que fizeram a cabeça daquela geração. Mesmo neste disco, recheado de sambas ufanistas, sua batuta enviezada, torta mesmo, não deixa de estar presente um minuto sequer. Sem querer alongar a conversa (bom mesmo é ouvir) como imaginar "Aquarela do Brasil", ou mesmo "Isto aqui o que é", com guitarras "fuzz" juntamente com gaitas de boca, tal qual um Frank Zappa alucinado (aliás Duprat foi colega de Zappa, quando ambos estudavam com Stockhausen, na Alemanha) se não nos rendermos a afirmativa que este som só poderia ter sido parido na cabeça do mestre genial? A lamentar a completa desinformação acerca de músicos e coral, falha imperdoável da EMI/Odeon.

Deixo voces na companhia do próprio maestro, na entrevista inédita concedida ao amigo jornalista Fernando Rosa e Matinas Suzuki, vergonhosamente desfigurada pela revista Bizz, quando publicada em 2003. Duprat faleceria, vencido por um cancer no estômago, em 2006. A entrevista está aqui e o link do Senhor F (impagável e-zine do Fernando Rosa) está na lista de blogs ao lado. Obrigado Fernando!

Aproveitem!

1. Aquarela do Brasil
(Ary Barroso)

2. Isto aqui o que é
(Ary Barroso)

3. Brasil Usina do Mundo
(João de Barro / Alcyr Pires Vermelho)

4. Rio de Janeiro
(Ary Barroso)

5. Brasil
(Benedito Lacerda / Aldo Cabral)

6. Onde o céu é mais azul
(João de Barro / Alberto Ribeiro / Alcyr Pires Vermelho)

7. Canta, Brasil
(David Nasser / Alcyr Pires Vermelho)

8. Tudo é Brasil
(Vicente Paiva / Sá Roris)

9. Minha terra
(Waldemar Henrique)











Para ouvir agora:


50 anos da morte de Villa-Lobos, o começo de tudo...



Com sua permissão "dona" Globo, o Villa merecia muito mais. Infelizmente, no Brasil, é praticamente impossível colocar algo do Villa para download. Os franceses são donos dos direitos autorais de toda sua obra e certamente teríamos problemas.