terça-feira, 24 de novembro de 2009

Wanderley Taffo - Siles e seu Conjunto - Samba Society



























RGE XRLP 5021 e Beverly LPCM 4038, ambos de 1958


Quem foi Siles? Muitos poderão fazer esta pergunta diante da falta de informações acerca deste excepcional músico que atendia pelo apelido de Siles, Syles ou Silis. Então vamos lá: nascido Wanderley Taffo (Ribeirão Preto - SP), em 26 de abril de 1926, Siles demonstrou vocação para a música precocemente. Aos treze anos de idade tocava na famosa "Banda Italiana". Ainda menor, tocou, também, na casa Jazz Progresso e na Jazz Band Bico Doce (ótimo nome!), para depois tocar na PRA-7 Rádio Clube, tudo isto em Ribeirão Preto. Aos dezessete anos foi primeiro clarinete da Orquestra Sinfônica desta cidade! Transferiu-se para a Rádio Tupy de São Paulo, onde deu vazão ao seu imenso talento como músico e arranjador, chefiando o conjunto da rádio por mais de dez anos.

Ainda em São Paulo, trabalhou na TV Tupi em um programa de calouros com o animador Alfredo Borba. Voltou para Ribeirão Preto, onde novamente atuou na Orquestra Sinfônica e lecionou música no Educandário Coronel Quito Junqueira. Foi casado com a excelente cantora Rosa Pardini e teve dois filhos: os gêmeos Wanderley e Fátima. Wanderley Taffo Jr faleceu precocemente ano passado: era Wander Taffo um dos nossos maiores guitarristas, considerado um dos melhores do mundo. Siles casou-se pela segunda vez, com Célia Aparecida da Silva, com quem teve o filho Julio Ayres. Faleceu, em 15/7/1979, em sua cidade natal.

Eu tenho particular admiração por este disco, primeiramente pelos arranjos de Siles (basta ouvir a versão para samba de "Rock around the clock" e deixar o queixo cair!), em segundo lugar pelo repertório de muito bom gôsto e, por último, pela escolha dos execelentes músicos que o acompanham, só feras do naipe de Orlando Silveira no acordeon, de Esmeraldino (Mestre Esmê) no cavaquinho, de Poly nas guitarras, de Rago no violão, o baixista e o pandeirista eu não tenho certeza quem são mas arrisco, sem muito medo de errar, que são Correia e Zequinha. Quem puder ajudar, agradeço muito. A titulo de curiosidade: a faixa Samba Society é de autoria do também ribeirãopretano Altamir Penha. Brevemente vamos colocar seu disco com o irmão Edson Penha "Violões em Hi-Fi", lançado pela Farroupilha, aguardem!

Aproveitem!

1. Samba Society (Altamir Ruben Penha)

2. Samba no Perroquet (Djalma Ferreira)

3. O Relógio da Vovó (Fafá Lemos / Chiquinho do Acordeom / Garoto)

4. No Rancho Fundo (Ary Barroso / Lamartine Babo)

5. O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa / Kid Pepe)

6. Rock Around The Clock (Freedman / De Knight)

7. Moonglow (Lange)

8. Contraste (Osvaldo Quirino / Sidney Morais)

9. Guacyra (Hekel Tavares / Juraci Camargo)

10. Caravan (Duke Ellington)

11. Cheek To Cheek (Irving Berlin)

12. Faceira (Ary Barroso)




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domingo, 22 de novembro de 2009

Rogério Duprat - Brasil com "S" - EMI EMCB 7005 - 1974

























EMI/Odeon EMCB 7005, 1974


Este LP do maestro Rogério Duprat é bem pouco conhecido, acredito que a postagem, embora dê um salto em alguns anos na linha que vinhamos adotando, seja  bem pertinente.  A minha impressão é que Duprat paga uma espécie de "dívida" com os militares lançando um disco com repertório completamente nacionalista. Tudo por conta, suponho, do seu envolvimento com os tropicalistas e com os Mutantes. Mas, se isto é verdadeiro, Duprat o faz à sua moda.

É fácil dizer que Duprat foi o "George Martin" da geração tropicalista, uma espécie de pai, homem mais velho e responsável pelos arranjos e sacadas geniais que fizeram a cabeça daquela geração. Mesmo neste disco, recheado de sambas ufanistas, sua batuta enviezada, torta mesmo, não deixa de estar presente um minuto sequer. Sem querer alongar a conversa (bom mesmo é ouvir) como imaginar "Aquarela do Brasil", ou mesmo "Isto aqui o que é", com guitarras "fuzz" juntamente com gaitas de boca, tal qual um Frank Zappa alucinado (aliás Duprat foi colega de Zappa, quando ambos estudavam com Stockhausen, na Alemanha) se não nos rendermos a afirmativa que este som só poderia ter sido parido na cabeça do mestre genial? A lamentar a completa desinformação acerca de músicos e coral, falha imperdoável da EMI/Odeon.

Deixo voces na companhia do próprio maestro, na entrevista inédita concedida ao amigo jornalista Fernando Rosa e Matinas Suzuki, vergonhosamente desfigurada pela revista Bizz, quando publicada em 2003. Duprat faleceria, vencido por um cancer no estômago, em 2006. A entrevista está aqui e o link do Senhor F (impagável e-zine do Fernando Rosa) está na lista de blogs ao lado. Obrigado Fernando!

Aproveitem!

1. Aquarela do Brasil
(Ary Barroso)

2. Isto aqui o que é
(Ary Barroso)

3. Brasil Usina do Mundo
(João de Barro / Alcyr Pires Vermelho)

4. Rio de Janeiro
(Ary Barroso)

5. Brasil
(Benedito Lacerda / Aldo Cabral)

6. Onde o céu é mais azul
(João de Barro / Alberto Ribeiro / Alcyr Pires Vermelho)

7. Canta, Brasil
(David Nasser / Alcyr Pires Vermelho)

8. Tudo é Brasil
(Vicente Paiva / Sá Roris)

9. Minha terra
(Waldemar Henrique)




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sábado, 31 de outubro de 2009

K-Ximbinho Especial





























Enquanto aguardamos a digitalização dos dois discos que faltam para o blog ficar 100% nesta área (Fats Elpidio e Os Copacabanas), vamos postar algo sobre K-Ximbinho. Gravações raras de suas composições.

A lista está abaixo, são discos muito antigos, 78 rpm em sua maioria, e a qualidade pode não ser a melhor possivel, mas poderemos claramente perceber a versatilidade deste extraordinário músico.

Aproveitem!

1 - Perplexo (K-Ximbinho) com K-Ximbinho e Seu Conjunto - Continental 16722, 1953

2 - Tudo Passa (K-Ximbinho) com K-Ximbinho e Seu Conjunto - Continental 16722, 1953

3 - Sonoroso (K-Ximbinho) com Orquestra Tabajara - Continental 15588, 1946

4 - Sonhando (K-Ximbinho) com Orquestra Tabajara - Continental 15700, 1946

5 - Sempre (K-Ximbinho) com Garoto e Conjunto - Odeon 13265, 1952















segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Gaúcho e Seu Sexteto - Baden Powell e Dom Um Romão


























RITMOS MELÓDICOS Nº 4 - Gaúcho e Seu Sexteto
(1957) Rádio 0049-GV

O segundo disco gravado por Auro Pedro Tomaz, o fabuloso Gaúcho, desta feita para a gravadora Rádio também merece alguns comentários.

A começar pelo time de craques que ele convocou: Zequinha Marinho (piano); Baden Powell (guitarra); Gabriel Bezerra (baixo); Dom Um Romão (bateria) e o mestre percussionista Luna. Gaúcho se apresenta com seu incomparável companheiro, um autêntico Dallape italiano.

Vale destacar que esta é a segunda aparição de Baden Powell em discos. A primeira, também em 1957, poucos meses antes desta gravação no segundo volume de A Turma da Gafieira. Mas a sua primeira composição gravada está aqui, o samba-canção Jóia, em parceria com o pianista Zequinha Marinho.

O disco todo é ótimo, com repertório primoroso e com Gaúcho brilhando muito mas dando espaço para seus extraordinários acompanhantes. Vale ressaltar, por último, seu choro Contratempo...o nome diz tudo, espetacular!

A boa regra da escrita pede que evitemos o uso desmedido de adjetivos e advérbios, mas com a Divina Música, como postou um leitor aqui outro dia, impossível não fazê-lo...

Curiosidade retirada da contra-capa que reproduzo na íntegra:

"Estas gravações foram feitas nos estúdios da Fábrica Rádio, utilizando microfones de condensador da marca Telefunken, tipo U-47, gravador de fita da marca Ampex modelo 350, amplificador de gravação em discos de Alta Fidelidade de 150 Watts marca Gotham e cabeças gravadoras de Alta Fidelidade "Grampian" com agulha aquecida."

Aproveitem!


1. Una Miradita e Nada Más
(H. Suarez)

2. Da Cor do Pecado
(Bororó)

3. Cansei
(Fortunato Benchimol)

4. Convite ao Samba
(Inaldo Vilarim / Gaúcho)

5. Jóia
(José Marinho / Baden Powell)

6. The Tender Trap
(J. V. Heusen / S. Cahn)

7. Pastorinhas
(Noel Rosa / João de Barro)

8. Ai Yoyô
(Henrique Vogeler)

9. Contratempo
(Gaúcho)

10. Quem Passa na Vida Sorrindo
(Fortunato Benchimol)

11. Solução
(Raul Sampaio / Ivo Santos)

12. Doce Veneno
(Valzinho)


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Songs & Dances of Brazil - Folkways Records FP 953 - 1956


























Um disco raro, lançado em tiragem limitada pelo selo americano Folkways Records, em 1956.

No folheto que acompanha o disco, ficamos sabendo, e apenas isto, que se trata de uma gravação feita com equipamento primário em Mar Grande, Itaparica, na Bahia, pelo antropólogo italiano, radicado nos USA, Carlo Castaldi. Cantada e executada por moradores locais, amadores portanto, revela algumas gratas surpresas.

Todas as faixas são consideradas "motivos populares", ou seja, canções que foram adquirindo notoriedade com o tempo, sem que lhes seja atribuida a autoria. É do povo.

E chamo logo a atenção para a faixa 2 do lado A: uma embolada surgida, pelas mãos e vozes astutas da dupla baiana Tom & Dito, a quem se atribui a autoria, como o tema de abertura da série da TV Globo "A Grande Familia" e que deve render um bom dinheiro a dupla...ora, como podemos observar, trata-se de um "motivo popular" já conhecido dos moradores de Mar Grande na década de 50, mas não tem dono mesmo...

Também é motivo para atenção a faixa 3, do mesmo lado, grafada no disco (as faixas não têm nomes) apenas como um tema em "rhythm of samba", e que é, na verdade, sem tirar nem por, a "macumba" Pena Verde, de J.B. de Carvalho, grande estudioso de ritmos afro-brasileiros. Estudou bem o nosso J.B. de Carvalho...

Mas o disco inteiro é curiosissímo contendo farto material para pesquisadores e estudiosos. Tem choros instrumentais sensacionais; marchas-rancho e, principalmente emboladas com letras muito engraçadas e maliciosas. Toda a sabedoria popular de músicos amadores baianos, recolhida durante séculos, vêm a tona neste "disquinho" fantástico.

A capa é do estilo "nada a ver" com o conteúdo (não sei de onde tiraram esta capa) mas os americanos têm um crédito enorme para com a MPB pois pagam tributo a um assunto raramente, para dizer nunca, tratado com seriedade por brasileiros. Ponto para eles então!

obs: lamento por alguns "pulos" e "clicks" em determinadas faixas (notadamente a 1 do lado A). Achei este disco num sebo em NY em estado deplorável, creio que o resultado obtido após processar com o SoundForge foi razoável. Vale a pena escutar. Quem tiver uma cópia melhor e quiser disponibilizar agradeço muito.












quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Chiquinho do Acordeon - Romeu Seibl - Odeon MOFB 3170


























Odeon MOFB 3170, de 1960

Sensacional disco solo de Chiquinho do Acordeon (Romeu Seibl), o primeiro para o selo Odeon.

Chiquinho do Acordeon possui vasta informação na internet (Google nele) principalmente por sua participação no legendário Trio Surdina, de fundamental importancia para a MPB instrumental.

Com produção de Aloysio de Oliveira, e, teóricamente, com o aval do orquestrador-mor da Odeon, o fabuloso Lyrio Pannicalli, Chiquinho desfia exuberante técnica no seu instrumento. Mas é para os seus arranjos, com todos os naipes tocados em surdina, que chamo a atenção dos meus eventuais leitores.

Imaginar que, confortavelmente deitado sobre o colchão das cordas, o disco nos remeterá ao que se convencionou chamar de "easy listening", de música fácil, ou, de elevador, nos fará incorrer em crasso engano.

Algumas observações contestáveis:

- Sucedeu assim -  com maravilhoso arranjo a lindissima música de Marino Pinto, gravada anteriormente por Sylvia Telles, é tocada por Chiquinho e Sivuca (percebam os "vocalises") e, para mim, acompanhada pelo piano do próprio Tom Jobim embora não haja nenhum crédito no disco para ratificar  minha afirmativa. Outra curiosidade é a semelhança com a música Ligia - composta muitos anos depois. Uma questão a se verificar , uma vez que Tom foi mestre em plagiar e auto-plagiar, nada, enfim, que diminua sua genialidade.

- Ho-ba-la-la - tudo o que João Gilberto gostaria de ouvir, tocada por orquestra, cordas e um instrumento solo, apenas um boleraço. Não há nada de bossa nova nisto. Bossa nova era a maneira que João dividia ritmicamente esta digna e respeitável música, tantas vezes inferiorizada e ridicularizada em função de sua letra. Atenção para os "lamentos" produzidos pelos saxes em algumas partes da canção.

- Se todos fossem iguais a voce - levada num andamento rápido, um samba-canção gravado como um sambão do Denis Brean, por exemplo, com arranjo à la Astor ou Nelsinho...curiosa e bonita!

- Estrada do sol - da mesma forma que a música acima, levada num andamento aparentemente "desconfortável" para ouvidos habituados a sua leveza e beleza. Grande arranjo de Chiquinho para as cordas e naipes de madeira e metal, mais uma vez os "lamentos" dos saxes aparecem, guarnecendo sua sensacional performance solo!

Existem muitas outras sutilezas neste discobelisco, descubram! 


1. Tua
    (G. Malgoni / B. Pallesi)

2. Sucedeu Assim
    (Tom Jobim / Marino Pinto)

3. Hô-bá-lá-lá
    (João Gilberto)

4. Se Todos Fossem Iguais a Você
    (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

5. Sonhando Contigo
    (Anísio Silva / Fausto Guimarães)

6. Copacabana
    (João de Barro / Alberto Ribeiro)

7. Eu Sei Que Vou Te Amar
    (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

8. On The Sunny Side Of The Street
    (D. Fields / J. McHugh)

9. Alguém Como Tu
    (José Maria de Abreu / Jair Amorim)

10. Estrada do Sol
    (Tom Jobim / Dolores Duran)

11. Solamente Una Vez
    (Agustin Lara)

12. Quero Beijar-te as Mãos
    (Arcênio de Carvalho / Lourival Faissal)


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Mudança de ventos!

Pedi para uma IA escrever esta postagem e ficou do jeito que voces estão lendo abaixo... Nada tenho contra o uso das IAs para facilitar a no...