quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O INIMITÁVEL AGENTE DO SAMBA QUE NASCEU EM REALENGO (RJ)

























O INIMITÁVEL AGENTE DO SAMBA QUE NASCEU EM REALENGO (RJ)

O nosso gênero musical mais difundido no mundo é o samba. O samba ao nascer na Bahia (referência mais aceita) e, em seguida, rumar para todo o Brasil trouxe à nação uma agregação musical relevante. Por isto, e em razão de que o seu nascimento foi espontâneo não se pode dizer quem o inventou. Em assim sendo e a partir daí, em vão, inúmeras pessoas tentaram sintetizar, decodificar, explicar, interpretar e mais, converter o samba em regras simplistas para se praticar e estabelecer um procedimento palpável com a finalidade de se ter o domínio sobre ele e de tudo o que ele tem a oferecer. Não foi e nem será possível isto. O samba é soberano. Mesmo tendo se espalhado pelo mundo, as pessoas não se dão conta de que o samba não faz concessão. Se o músico não tocar como ele quer, a denúncia é estampada na hora.

No samba, a marcação do tempo forte é e sempre será no primeiro tempo do compasso, claro, sem acentuação (é o que João Gilberto faz por ter observado esta prática no jazz). Não adianta fazer marcação forte no segundo tempo do compasso como se faz em outros gêneros musicais. Se assim o músico proceder, o que é comum, o samba claudicará e aí será outra coisa, menos samba. Para se tocar samba, é sine que non ter a sua permissão. Permissão esta que é dada à pessoa que ficará subordinada à condição de súdito. Nada além. Samba é samba. O samba não requer sobrenome. Não é possível adjetivá-lo. Não tem como fragmentá-lo ou fracioná-lo. O samba não pode ser visto como uma repartição pública com suas unidades, subunidades e respectivos setores. É um erro imperdoável caso não seja obedecido este princípio inelutável.

Após infindáveis anos de estudo sobre o gênero, observei que entre os poucos músicos escolhidos para serem súditos, havia um que se distinguia desses poucos e ele era uma figura que mais se assemelhava a um anjo. Músico extremamente doce. De um candor sem par e com uma conduta musical e moral singular. Quase sempre calado, mas com um semblante que transmitia tranquilidade e generosidade. Esse anjo chamado Daudeth Azevedo teve como codinome simplesmente Neco. Ele tinha plena consciência de que entendia de samba e pleno domínio na execução do samba. Com Neco o samba se mostrou mais amplo. Mais horizontal. Mais flexível e com muito mais outras possibilidades. A sua divisão rítmica era invejável com utilização de uma harmonia muito coerente e bem fornida. Sua mão direita não utilizava e nem sobrevivia de harpejo. Tocava ao mesmo tempo, graciosamente, com todos os dedos da base de sua mão direita. Conceituo que divisão rítmica, tanto para Neco quanto para João Gilberto, é o nome correto que se tem que dar para a denominação desacertada de “batida”. Nenhum dos dois agride o violão. Isso é para Baden Powell e seus seguidores que nunca foram sambistas.

Daudeth Azevedo, homem com um pouco mais de 1,60m de altura, ao empunhar seu violão tornava-se um gênio gigantesco. Ele era incomparável. Certa vez numa reunião de amigos aqui em Brasília, uma determinada pessoa se identificou como irmão do Geraldo Vespar, disse-me que na opinião do seu irmão, o Neco foi o melhor violonista/guitarrista que aparecera no Rio de Janeiro. Curiosamente me disse que o seu nome também era Geraldo e que todos os seus irmãos foram registrados com o mesmo nome - Geraldo. Neco que mais se parecia a um anjo, passou por aqui e não foi notado tal era sua singeleza e sutileza. Isto se deve também ao fato dele ser extremamente modesto e ter aceitado ser um agente de confiança do samba. Foi um verdadeiro mensageiro leal desprovido de vaidade. Por ser tão simples e corajoso, Neco me falou com muita naturalidade das dicas que Nestor Campos (este mais injustiçado ainda) passou pra ele. Somente o Neco teria coragem de dizer isto.

Concernente a violonistas, para o universo do samba apareceram dois geniais violonistas intérpretes: Daudeth Azevedo (Neco) e João Gilberto. Esses dois gênios são contemporâneos (não se encontraram pessoalmente) e tiveram em comum a dedicação exclusiva ao samba. Não importa o tema do gênero musical que os dois executem em seus violões nas gravações, a questão cerebral, de propósito, fala mais alto e tudo vira samba. Valsa vira samba. Jazz vira samba. Baião virá samba e por aí vai. Não existe estatística para o que noticio, todavia, penso que, tranquilamente, Neco participou de gravações de mais ou menos 600 discos. Deixou registrado fonograficamente a sua maravilhosa personalidade musical. De modo prático, afirmo que Neco gravou o melhor e mais importante disco produzido neste país. O irônico é que ele me disse que não ganhou um tostão por conta do disco. Os arranjos ficaram a cargo do também genial Nelsinho do Trombone. O disco é de 1966 e foi gravado exclusivamente para o mercado inglês, se chama “Velvet Bossa Nova”. É o que há de melhor e mais expressivo referente a samba. É uma verdadeira obra de arte.

Vale alertar que, o disco Chega de Saudade - do João Gilberto, sua notoriedade se deu especificamente no tocante à revelação de um novo cantor extraordinário e de um violonista inovador que inventou para o samba uma original maneira para tocá-lo. Considero que a abordagem implementada por João Gilberto ao violão nesse disco e nos dois posteriores permanece ainda inédita tal é sua importância. Esse ineditismo alcança também ao próprio João Gilberto visto que depois dos três primeiros discos gravados no Brasil não mais conseguiu reproduzir aquele exuberante e extraordinário trabalho paradigmático. Há muito eu já havia me dado conta disto e, provavelmente, João Gilberto não teve a mesma percepção. A vida impôs a ele esta cilada e, consequentemente, o melhor mesmo foi ficar em casa e fazer pouquíssimos shows já que ele é extremamente vaidoso. O fenomenal artista acabou por se transformar em dois personagens diferentes que lhe causou uma crise de identidade entre o que ele foi e o que é. Ainda assim, ninguém harmoniza tão bem uma música como João Gilberto. Ninguém conseguiu tirar isso dele (nem ele mesmo), mas sua execução ao violão posterior aos três primeiros discos não mais foi possível constatar.

O primeiro disco do João Gilberto tornou-se clássico exclusivamente por conta dele e não pelos arranjos que Tom Jobim elaborou ou mesmo pelos músicos partícipes. Aliás, em todas as faixas desse disco se nota mais a presença determinante do violão como condutor do que pelos arranjos creditados ao Tom Jobim. Sem falar que a gravação técnica no estúdio foi muito inferior em relação a outros discos que naquele período foram gravados na ODEON.

Já o disco “Velvet Bossa Nova” não padece dessas falhas e nem de outras. É um disco acabado. Não tem como retocá-lo. Foi relançado em CD e se encontra fora de catálogo. Ao adquirir o CD do “Velvet Bossa Nova” impressionou-me o fato de que um jornalista desinformado confeccionou a ficha técnica completamente errada. Retirou nomes de músicos que participaram e colocou outros que não participaram da gravação. Só não retirou o nome do Neco porque na capa está escrito “Neco's guitar and the Ipanema Strings”. Se assim não fosse, mais uma vez, Neco teria sido descartado. A arrogância desse dublê de jornalista foi grande visto que nessa época o Neco morava na Tijuca (RJ). Bastaria um telefonema para a residência dele e a informação sairia correta. O Neco me disse que os músicos participantes da gravação foram: Arranjos: Nelsinho do Trombone; Violão e arranjos: Neco (Daudeth Azevedo); Piano: Zequinha Marinho: Bateria: Wilson das Neves; Contrabaixo Acústico: Luiz Marinho: Flauta: Meireles. Nesse contexto, Neco foi campeão em ter seu nome omitido na maioria dos discos em que participou.

Nesses discos o seu violão foi capaz de dar maior expressão às gravações que se por ventura o ouvinte pudesse retirá-lo, o contexto sonoro seria outro e causaria estranheza que poderia pensar que estaria incompleto. Inscrevo neste texto que, se de um lado João Gilberto (músico muito específico) e Neco (músico polivalente que tocou de tudo e com todos) foram capazes de inventar um novo jeito de tocar samba ao violão; por outro lado, o luthier - Sr Romeu Di Giorgio foi o italiano genial que, desde 1908, havia inventado a personalíssima e inigualável sonoridade para violão brasileiro que, muito tempo depois, o samba encontrou seu melhor amparo sonoro.

Tive que deixar por derradeiro o Sr Romeo Di Giorgio, não por ser menos importante, para reverenciar essa personalidade que por ser também grandiosa está no nível de criatividade do Neco e João Gilberto. Ele é o terceiro vértice do triângulo de gênios que lamentavelmente os músicos brasileiros, estrangeiros, compositores, jornalistas, escritores e apreciadores do samba nem sabem que existiu. Esses três notáveis continuarão e permanecerão ignorados, por conseguinte, injustiçados. 

Com a invenção do violão Di Giorgio Author nº 3, pelo Seu Romeu Di Giorgio, foi possível registrar fonograficamente uma sonoridade definida, agradável, clara, cheia, melodiosa, bela, grave e harmoniosa que se tem notícia. Tanto isto é verdade que esse instrumento quando deixou de ser utilizado em gravações, rapidamente o movimento bossa nova desapareceu.

O Di Giorgio Author nº 3 exerceu um papel diferenciador com grande expressão e não permitiu sua substituição. O pior é que isto até hoje ninguém percebeu ou se deu conta. Infelizmente, muito se alardeou que outros dois instrumentos, piano e bateria, foram destaques maiores do que o violão, em particular, para o movimento bossa nova, isto é uma argumentação que não tem sustentação e é completamente refutável. Basta raciocinar um pouquinho e perceber que a partir do momento em que todos os músicos brasileiros consagrados, inclusive João Gilberto, passaram a utilizar outros tipos de violões, suas identidades sonoras desapareceram e o movimento ruiu em definitivo. Piano e bateria não conseguiram preencher o vazio deixado pelo violão Di Giorgio Author nº 3 que João Gilberto utilizou pioneiramente nas gravações dos primeiros discos e que também foi utilizado largamente por todos os outros músicos.

Isto se tornou consenso e o som do movimento bossa nova estava patenteado É muito oportuno falar que, o som das outras duas marcas: Del Vechio e Giannini não eram iguais, apenas se assemelhava ao do Di Giorgio. Interessante também é perceber que a excepcional invenção do Sr Romeu Di Giorgio não foi utilizada somente em samba, todos os outros estilos musicais no Brasil daquela época se serviram do instrumento. Mesmo com toda essa importância, ainda assim, o Sr Romeu Di Giorgio não pôde atender ao pedido heterodoxo (carta escrita ao Reinaldo Proetti) do multifalado maestro Tom Jobim (não conheço nenhuma orquestra que ele tenha conduzido), que fabricasse um violão Di Giorgio climatizado para os Estados Unidos. Como isto seria possível?

Por último, há de se levar em conta de que o que escrevi é o meu entendimento pessoal e é um pequeno introito a um tema que ainda é desconhecido neste país. País este que tem um Ministério da Cultura, mas seus representantes não sabem diferenciar “entretenimento” de “cultura”. É a vida. Até de repente se Deus assim permitir.

Niromar Fernandes (www.myspace.com/niromar) Brasília (DF). 20.4.2011.




London LLB 1006 - 1966


Aproveitem!

1. Minha Namorada (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)

2. Insensatez (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

3. Saudade da Bahia (Dorival Caymmi)

4. A Felicidade (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

5. Água De Beber (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

6. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá / Antônio Maria)

7. Chuva (Durval Ferreira / Pedro Camargo)

8. Chove Lá Fora (Tito Madi)

9. Maria Ninguém (Carlos Lyra)

10. Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

11. Reza (Edu Lobo / Ruy Guerra)

12. Meditação (Tom Jobim / Newton Mendonça)















sábado, 30 de junho de 2012

CHAIM... E SUAS TECLAS MÁGICAS - 1960


























Copacabana CLP 11166 - 1960

Comecei a escrever sobre músicos brasileiros que, indignadamente, julgava não existir razão para serem atirados ao limbo, lá atrás, em 1999, para ser mais preciso. Tinha um site chamado "Tesouro Musical" que era abastecido pela minha coleção e pela inestimável contribuição dos sempre amigos: Sérgio Ximenes, um dos maiores colecionadores de discos do Brasil, o já conhecido pelos amigos do blog Niromar Fernandes, extraordinário violonista, e o meu caro e saudoso Caetano Rodrigues. Também tive a ajuda do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, que me abriu as portas para vários músicos e cheguei a levar o projeto de escrever um livro sobre o assunto ao Ministério da Cultura, obviamente em vão. Sem apoio financeiro para fazer pesquisas, viagens, etc, etc a coisa ficou inviável.

Em 2001 registrei o site "Batutas". Mal poderia supor que, anos depois, o gigante UOL usaria este nome para designar a rádio que até hoje "toca no seu dial"...

Vida que segue, viagens para lá, exterior, mudanças radicais e, na volta, resolvi continuar.
Surgiu, então, em 2003, o Vinyl Maniac, que antes era um site comum e depois virou um blog, coisa que nem sonhavamos existir. As mudanças visuais foram acontecendo ao longo dos anos e me arrependo por não ter salvado os modelos anteriores, cujos comentários eram, imensa maioria, muito melhores que os posts.

Mas por que escrevo tudo isto? Porque pretendo mostrar a dificuldade que encontramos aqui para salvaguardar a memória dos nossos músicos, coisas do desmiolado e desmemoriado Brasil.

Ok, aí em cima tem um disco de um dos meus pianistas prediletos, e agora conto a minha saga para fazer esta postagem. 

Quem foi Abraham Chaim Levack (Caim em portugues e Hayme em ingles)? Como chegou ao Brasil, como, em pouco tempo, se tranformou num dos mais importantes músicos atuando em território nacional? Perguntas sem respostas.

Sabia que, após reconhecidas performances em diversas casas noturnas, dentre elas a Vogue, Copacabana Palace, gravações memoráveis com Moacyr Silva, participação brilhante no disco Coisas do Moacir Santos, ser o pianista exclusivo da Radio Nacional, Chaim tinha ido para os USA, mas e aí?

Aí, em 2001, apelei para a Daniella Thompson que colocou a minha pergunta "onde anda Chaim Levack?" na lista chamada LatinJazz da qual era moderadora. Enquanto aguardava alguma resposta, numa tarde qualquer, estava ouvindo um disco do cantor americano Jackson Browne e percebi que o baterista chamava-se Mauricio Levack. 

Muita coincidencia e mandei um email para o site do cantor perguntando se havia algum parentesco com o Chaim. A resposta foi: sim, era seu filho!

Opa, estava aberto o caminho. Mas nada do Mauricio me responder sobre seu pai. A Daniella, então, executou um papel fundamental: descobriu o email do Jose Marino (Zelão) baixista do Walter Wanderlei que morava nos USA e, ainda mais, o email da cantora cubana Candy Sosa que atuou com Chaim na melhor casa noturna de Los Angeles (La Macia) onde ele tocou esplendidamente, acompanhando artistas do naipe de Vic Damone, Diane Carroll, Celia Cruz, além dos conjuntos de Sérgio Mendes e Tito Puente. La Macia era a única casa noturna na cidade onde se podia ouvir música latina, coisa que Chaim adorava. 

Nascido em Israel, aprendeu a tocar piano com sua mãe, atuou no Moulin Rouge, peregrinou pelo mundo e veio para o Brasil em 1955; falava fluentemente hebreu, portugues, frances, alemão, ingles e espanhol. Era um tremendo glutão e adorava jogar poquer. Tocou no já citado disco do Moacir Santos, no disco Os Cobras, em praticamente todos os discos do Moacyr Silva (também como Bob Fleming), no fantástico Quarteto Nostalgia e em todos os discos do Paulinho (baterista) e seus Night Boys. Nos USA, gravou com a Candy Sosa, com Tito Puente, fez parte da prestigiosa orquestra de Nelson Riddle e fez trilhas sonoras para filmes da MGM. Faleceu em 1999 (Los Angeles) fazendo o que mais gostava: tocando seu piano. Teria muito mais para contar, mas são coisas particulares e que iriam fazer o post maior do que já está.

Esta postagem é uma homenagem a Daniella Thompson, Candy Sosa e Jose Marino. Mauricio Levack, seu filho, talvez até em função dos acontecimentos nos USA em 2001, não me forneceu maiores informações sobre seu pai...infelizmente.

Este disco não é dos seus melhores embora eu goste muito. Nele atuam Paulinho Magalhães na batera; Waltel Branco no violão; Luiz Marinho no baixo e Pedro (Sorongo) Santos na percussão.

Ouçam a bela "O amor e a rosa" e percebam como Chaim não consegue fugir de sua veia jazzistica e entorta a música nos improvisos. Um pianista que influenciou toda uma geração de músicos, grande Chaim Levack!   

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!

1. Sorongaio (Pedro Santos)

2. Autumn In Rome (Alessandro Cicognini / Paul Weston / Sammy Cahn)

3. O Amor e a Rosa (Antônio Maria / Ayres da Costa Pessoa "Pernambuco")

4. Una Aventura Mas (Oscar Kinleiner)

5. On The Street Where You Live (Alan Jay Lerner / Frederick Loewe)

6. Inferno Verde (Pedro Santos)

7. Stompin' At The Savoy (Edgar Sampson / Benny Goodman / Chick Webb) 

8. Donde Estará Mi Vida (Antônio Lopes / Quiroga Segovia / Francisco Naranjo Caldera / Ignacio Roman Jimenez)

9. Bem Feliz (Garcia Júnior / Geraldo Barbosa / Lourival Perez)

10. Flamingo (Grouya / Anderson)

11. Mack The Knife (Moritat) (Kurt Weill / Bertold Brecht)

12. Sorongando Em Madrid (Pedro Santos)















segunda-feira, 14 de maio de 2012

Astor Silva - Um brasileiro em Roma - 1959


























Odeon MOFB 3078 - 1959

Apenas curtam, como sempre fiz, este espetacular disco do Astor (o seu segundo gravado com orquestra) e percebam a categoria daquele que foi um dos nossos melhores maestros. Google nele e teremos muitas informações. Poderia, e espero em breve colocar aqui mais coisas do mestre, optar por uma obra específica dentre vários LPs. Todavia, não consegui vislumbrar esta bolacha em outros blogs, então vamos com ela.

Para variar, a Odeon nos deixa "no escuro" com relação aos músicos que acompanham Astor na sua jornada italiana. Mas posso, sem medo de errar, destacar o imenso Wilson das Neves na batera, no ritmo Rubens Bassini, no baixo Luiz Marinho, o irmão Zequinha Marinho no piano e por aí vamos. O disco é excelente, espero que gostem dos arranjos "sambísticos" para temas demais conhecidos, mas que, aqui, têm melhor sabor de feijoada que uma boa pizza. Desculpem a pobre comparação...escutem!

Só mais uma informação: para aqueles que estranharem a curiosa capa, a autoria é creditada aos craques Cesar Vilella e Chico Pereira...sim, concordo, fariam coisas bem melhores no decorrer do tempo. E a Alitália deve ter sido generosa com este nada sutil "merchandising".

Sabendo que não existe a menor possibilidade de encontrar este vinil em cd...

Aproveitem!

1. Ciribiribin (Pestalozza)

2. Arrivederci Roma (Renato Rascel / Pietro Garinei / Alessandro Giovannini)

3. Come Prima (Mario Panzeri / Di Paola / Taccani)

4. Santa Lúcia Luntana (E. A. Mário)

5. Nel Blu Dipinto Di Blu (Volare) (Domenico Modugno / Franco Migliacci) 

6. Guaglione (Fanciulli / Salerno)

7. Concerto D'autunno (Camillo Bargoni / Danpa)

8. O Sole Mio (Eduardo Di Capua / Giovanni Capurro)

9. Piccolissima Serenata (G. Ferrio / A. Amurri)

10. Anema e Core (Salvatore D'Esposito / Tito Manlio)

11. Domani (U. Minucci / T. Velona)

12. Torna A Surriento (Ernesto de Curtis)

13. Scapricciatiello (Pacífico Vento / Ferdinando Albano)



 

http://www.mediafire.com/file/ygbi2azjog6jcof/astor_Um_brasileiro_em_Roma.rar







sábado, 21 de abril de 2012

Jorge Autuori Trio Vol 2 - Mocambo - 1968


























Mocambo LP 40387, 1968

Para o amigo Silvestre: está aqui o disco que voce tanto queria. Em prol da verdade, quanto menos falar sobre ele tanto melhor pois sei que foi relançado há tempo por gravadoras inglesas e japonesas e não posso dar sopa para a SOPA... Mas, e daí? Não pagaram direitos autorais de forma alguma, duvido! Parece estar fora de catálogo e este aqui foi ripado do vinil original e disponibilizo para os meus eventuais leitores.

Além do mais, vale como uma homenagem para o amigo Edson Frederico falecido ano passado. Em função da tal SOPA e da suspensão do blog, sequer pude escrever algumas palavras a seu respeito, no Google voces encontram tudo. Mas era um ótimo pianista, arranjador, enfim, um músico na acepção da palavra. Era simples, humilde com os menos favorecidos musicalmente, meu caso, excelente pessoa. Tenho boas lembranças de várias tardes e vários chopes servidos pelo Paivinha no Jobi (Rio de Janeiro) onde ele me confidenciou - isto mesmo, ninguém sabia - que ele é o "invocado" pianista, palavras dele, deste disco do Autuori que por sua vez sumiu da mídia assim como tantos outros, etc etc etc...lembro do meu amigo Niromar Fernandes...fazer o que Niromar? Autuori é reverenciado no resto do mundo, mas aqui? Bem, uma pena que esqueci de perguntar quem era o baixista...aposto minhas fichas no Edson Bastos, aquele mesmo que, no disco de 1969, estava lá. Tentei confirmar com o pessoal de Os Cariocas (ele, Edson, substituiu o Luiz Roberto quando este faleceu "gloriosamente" numa apresentação do conjunto no Jazzmania, em 1988 no Rio) mas não obtive sucesso. Vamos ao disco que é o que interessa!

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco em território nacional, portanto...

Aproveitem!

1. Pobre Morro (Gilberto Barcellos)

2. Lonely (Sebastian)

3. Anda Luzia (João de Barro) Longe dos Olhos (Djalma Ferreira / Cristóvão de Alencar) Samba da Minha
Terra (Dorival Caymmi)

4. Januária (Chico Buarque)

5. I Say A Little Prayer (Burt Bacharach / Hal David)

6. Eu e a Brisa (Johnny Alf)

7. Voltei (Oswaldo Nunes / Celso Castro)

8. San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers In Your Hair) (J. Philips)

9. Viola Enluarada (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

10. Free Again (A. Canfora / J. Baselli / M. Jourdan)

11. Live For Life (Vivre Pour Vivre) (Francis Lai / Pierre Barouh / Vrs. Norman Gimbel)

12. Autorizando (Jorge Autuori)




 











  

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Carlos Lacerda - Piano de Informal (e Bossa) - JS Discos


























JS Discos JLP 9003, anos 60


Passei minha adolescência morando e estudando em Salvador. Meu pai era amigo de Jorge Amado, Caymmi, Caribé dentre outros tantos baianos ilustres, todos eram amigos de Carlos Lacerda, uma referência musical na Bahia de um tempo que não volta mais, e que marcou profundamente o menino que hoje batuca aqui nos teclados.
Bem, para não ficar uma postagem sentimental, deixo voces com quem sabe melhor do que eu, recomendo muito a leitura do excelente blog Tempo Música aqui:

http://tempomusica.blogspot.com.br/2010/10/carlos-lacerda.html

Apenas para aguçar a curiosidade do leitor, neste discaço Lacerda se faz acompanhar por Moacir Albuquerque no baixo, Tutti Moreno na batera e Miguel na percussão...pouca coisa hein? Ouçam a faixa "Desintegração" e percebam porque este disco, além de ser objeto de cobiça de colecionadores estrangeiros, é um dos mais bem guardados segredos da MPB instrumental.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1. Yuleska
(Paulo Gondim)

2. Fim de Tarde Em Amargosa
(Paulo Gondim)

3. Desintegração
(Ildásio Tavares / Alcyvando Luz / Djalma Correia)

4. Napoli 1005
(Carlos Lacerda)

5. Apolo 11
(Antônio Carlos Pinto / Ildásio Tavares / Berimbau)

6. Estudo Nº 1
(Paulo Gondim)

7. Menina dos Olhos Tristes
(Carlos Lacerda / Jocafi)

8. Temas Folclóricos Baianos
(Tradicional)

9. Giboeirinha
(Carlos Lacerda)

10. Kredo
(Henrique Gregori)

11. Variações Sobre o Prelúdio Nº 4
(Johann Sebastian Bach)

12. Morte do Amor
(Antônio Carlos Pinto / Jocafi / Alberto Santos Pinheiro)













quarta-feira, 11 de abril de 2012

Samba na Onda - Miguel Angel - 1965 - (In Memorian)


























Equipe EQ 807, 1965


Meu amigo e extraordinário violonista Niromar Fernandes, para mim o melhor no estilo samba bossanova, chamou a atenção para o falecimento do uruguaio Miguel Angel Cidras Rivas. Niromar, provavelmente lembrando da ausência absoluta de notícias acerca do falecimento do violonista Neco, me dizia que Miguel era mais um, dentre tantos, que foi completamente esquecido pela mídia. Mas quem foi ele? Foi o arranjador da maioria das músicas gravadas por Raul Seixas, o maestro Orlando Silveira também arranjou muita coisa para o "maluco beleza" mas isto ninguém sabe. E de quem mais? Além de Raul Seixas, Cidras trabalhou com artistas dos mais variados estilos, como Ney Matogrosso, Alceu Valença, Hyldon, Elba e Zé Ramalho, Tim Maia, Erasmo Carlos, Zé Rodrix e Sidney Magal. Do último, é o autor de seu maior sucesso: Sandra Rosa Madalena, a Cigana. Ok, ok, excelente, mas vamos ao que interessa: pianista exímio, Cidras chegou a fazer algum sucesso comercial com gravações de composições próprias em discos cheios de swing da série 'Boogaloo Combo', nos anos 60 e 70. Mas seu único disco próprio foi o LP 'Samba na Onda', de 1965, quando ainda assinava como Miguel Angel. Neste disco, acompanhado do conjunto Os Ipanemas, Cidras recria clássicos da bossa nova e do samba com um piano suingado e infuências de jazz. E é dele que vamos tratar.

A maior parte das informações do parágrafo acima foram colhidas na internet na nota que o jornal Estadão publicou, em 20 de março de 2008, a morte do Miguel Angel. Vamos corrigir poucas coisas: neste disco Miguel se faz acompanhar por "metade" de Os Ipanemas, ou seja, o "monstro" Neco no violão; Wilson das Neves na bateria e Rubens Bassini no pandeiro. Isto já seria suficiente para fazer um discaço, mas o maestro ousou mais: Jorge Arena nos atabaques; Humberto Garin no guiro; Cacho no baixo e o coral do Joab que era, à época, composto por Edgardo Luiz, Alvaro Sena, Arlindo, Valéria e Zezé. Pronto, estava armado o "circo" para mais um grande disco que caiu no esquecimento, juntamente com seu autor e coadjuvantes...mas envelheceu como os melhores vinhos. É excelente, confiram! Chamo a atenção para a faixa "Lagrima Flor", de Billy Blanco. O clima é perfeito, a ambientação também e Neco se sobressai com seu inconfundível violão.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1. Deixa Isso Pra Lá
(Alberto Paz / Édson Menezes)

2. Dá Bola
(Tranca / Luis Sergio Pacce)

3. Telefone
(Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)

4. Na Base do Balanço
(Anselmo Mazzoni / Jorge Canseira)

5. Balanço do Mar
(Zil Rosendo)

6. Lágrima Flor
(Billy Blanco)

7. Isto É Samba
(J. Canseira / Paulo Silva)

8. Bate a Palma
(Trancredo de Oliveira / Luis Sergio Pacce)

9. Balanço Zona Sul
(Tito Madi)

10. Vou Andar Por Aí
(Newton Chaves)

11. Na Roda de Samba
(Orlandivo / Hélton Menezes)

12. Consolação
(Baden Powell / Vinicius de Moraes)













Mudança de ventos!

Pedi para uma IA escrever esta postagem e ficou do jeito que voces estão lendo abaixo... Nada tenho contra o uso das IAs para facilitar a no...