domingo, 20 de setembro de 2026

Neco e o disco "Samba Nova Concepção": um reparo histórico

Experimentem colocar o nome do álbum "Equipe ST 803", de 1964, no Google. O resultado será, invariavelmente, um disco atribuído a Eumir Deodato.

Venho batalhando por isso há anos, desde 2001, quando a internet ainda parecia um campo aberto para o debate apaixonado — e aquilo era maravilhoso. Lembro bem do imperdível site "Tribuna Samba-Choro", do Paulo Eduardo Neves, onde debatíamos, em alto nível, os mais variados assuntos sobre a nossa música. Desde aquela época eu já defendia: aquele era um disco do Neco.

Fazia pouco tempo que tinha tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, junto com sua esposa, no apartamento onde moravam na Tijuca, no Rio de Janeiro. Fomos, eu e alguns amigos, convidá-los para assistir e participar da homenagem que faríamos (Grupo Sarau), na Cobal do Humaitá, para o Neco com a presença de outro grande músico: Julio Barbosa, o Julinho do Trumpete. Julio estava no Rio tentando (infelizmente sem sucesso) lançar seu último álbum, Embalo - A new concept of Brazilian music (1999), gravado na Alemanha.

Naquela noite de março de 2002, tive a oportunidade de perguntar ao Neco por que o seu disco aparecia em todos os sites e conversas como sendo de Eumir Deodato.

Pois bem, hoje tenho a oportunidade de reafirmar aqui: aquele álbum é do Neco!

E por que ele nunca "colocou a boca no trombone" para dizer "este disco é meu!"? Além de sua lendária modéstia e generosidade, havia ali uma profunda cumplicidade musical. Os arranjos de violão do Neco eram, na verdade, a base estrutural de toda a obra, pensados e compartilhados de forma integrada com o piano de Eumir Deodato e de Tenório Jr. Neco sabia que aquela arquitetura harmônica e rítmica era um trabalho de base em que as cordas e as teclas dialogavam em total simbiose. Como parece ter sido comum em sua trajetória de músico de estúdio, não há registro, até onde consegui apurar, de que tenha recebido royalties pelo trabalho.

Faço este reparo um pouco tarde, em memória do Neco. Mas basta abrir qualquer aplicativo de streaming, o Discogs ou qualquer outro acervo digital para ver o nome de Eumir lá. Fica aqui o meu registro, ainda que tardio.

Aliás, a única pessoa que fez questão de tirar o Neco do anonimato na época foi Bibi Ferreira em seu programa de TV. Ela apresentou Daudeth — e, segundo consta, também Geraldo Vespar — tirando-os das entranhas das orquestras de estúdio para mostrá-los ao vivo na televisão. Mas isso se perdeu na nossa curta memória brasileira.

Anos mais tarde, quando o CD foi relançado pelo selo Ubatuqui (UBCD 102), por Arnaldo DeSouteiro e pelo próprio Eumir, o nome de Neco apareceu quase invisível na contracapa, figurando como mero arranjador dos temas. Afinal, Eumir tinha o peso comercial que, merecidamente, carrega até hoje.

Infelizmente, esse apagamento de Neco não foi um caso isolado e ultrapassou fronteiras de forma caricata. Em 1981, ele participou das gravações do disco Let The Thunder Cry, de Jim Capaldi (baterista e fundador da banda britânica Traffic). Como era comum em sua trajetória de músico de estúdio, ele não recebeu um único centavo de royalties pelo trabalho.

Para completar o absurdo, seu próprio nome de batismo, Daudeth, apareceu na contracapa internacional do álbum sob o inacreditável pseudônimo feminino de “Claudete de Azevedo”. E isso não era uma gravação qualquer: Neco estava ali tocando guitarra, ao lado do Azymuth e de Steve Winwood, participando inclusive de “Old Photographs”, uma versão de “Casinha Branca”, de Gilson. É difícil imaginar uma forma mais cruel de apagar alguém: o músico estava presente, sua música estava registrada, mas até seu próprio nome lhe foi negado. Um episódio que diz muito sobre o descaso histórico com tantos dos nossos grandes músicos de estúdio, aqueles que sustentaram a música dos outros sem que quase ninguém soubesse quem eles eram.

Neco viveu e morreu pobre.

Até a próxima!

Documentos e referências sobre Neco

1. Revista Cinelândia (1964)

Veículo: Revista Cinelândia (Rio de Janeiro)

Data / Edição: Ano 1964 / Edição nº 00300

Jornalista / Autor: Não identificado (seção editorial de lançamentos)

Título da Seção: Equipe: Primeiros Lançamentos

EQUIPE: PRIMEIROS LANÇAMENTOS

OSVALDO CADAXO, que foi durante muito tempo um dos mais eficientes colaboradores de Nilo Sérgio na Musidisc, fundou a sua própria etiqueta, “Equipe”, já com seus primeiros lançamentos na praça, na sua maioria orquestrais e dançantes, reunindo um punhado dos melhores artistas ora atuando entre nós, entre êles Eumir Deodato, autor de muitos dos arranjos, Luiz Marinho (contrabaixo), Tenório Júnior, Humberto Garin e outros. A coordenação artística é de Tony Vestani, também egresso da Musidisc, e todos os lançamentos são previamente estudados e cuidadosamente preparados.

— “Queremos ir devagar... e sempre” — diz-nos Osvaldo Cadaxo — que se orgulha de constatar os primeiros sucessos da sua etiqueta, entre êles o samba moderno Tremendão, pelo conjunto “Os Catedráticos” (LP Tremendão), editado em mono e “stereo”.

Os demais lançamentos da “EQUIPE” são SAMBA NOVA CONCEPÇÃO, seleção de sambas modernos em arranjos de Daudeth de Azevedo (Néco); NA ONDA DO SAMBA, solos de piano por Miguel Angel, conjunto e côro; IMPULSO, pelo conjunto “Os Catedráticos”, arranjos de Eumir; outro bom LP constante dêste primeiro catálogo EQUIPE é êste DUAS FACES DO AMOR, com o pianista Ribamar e seu conjunto, revivendo algumas das melhores páginas musicais, como A Noite do Meu Bem, Segrêdo, Dó-Ré-Mi, Canção da Volta, Ninguém Me Ama, Se Eu Morresse Amanhã, Foi a Noite, Fôlhas Mortas e Prece.

Outro bom lançamento muito ao gôsto dos dançarinos é LOS DANSEROS EN BOLERO. Para as festas juninas, Osvaldo Cadaxo produziu FESTANÇA, com a sanfona de Raimundinho comandando o show, que é realmente uma festança alegre e vibrante.

Todos êsses discos foram gravados em mono e “stereo”, nos excelentes estúdios da CBS. Além das qualidades artísticas, merece louvores a apurada técnica e o bom gôsto na apresentação das capas.

2. O Jornal (1969)

Veículo: O Jornal (Rio de Janeiro)

Data / Edição: Ano 1969 / Edição nº 14553

Jornalista / Autor: Não identificado (nota informativa de cursos)

Título da Seção: Cursos

CURSOS

Segunda-feira, a Escola Brasileira de Música Popular abrirá as inscrições para os Cursos de Leitura e Escrita, professoras Maria Aparecida Ferraz e Laís Figueiró; Violão, professores Daudeth Azevedo (Neco) e Alberto Arantes; Teclado, professor Leonardo Luz; Piano, professora Laís Figueiró; Clarinete e Saxofone, professor Paulo Moura; Trombone, professor Antônio J. da Silva (Norato), e Bateria, professor Hugo Tagnin.

As aulas começarão a 5 de abril. Informações do Museu da Imagem e do Som, Praça Marechal Âncora, 1.

• No Sindicato dos Enfermeiros, Rua Benjamin Constant, 139, das 10 às 18 horas, acham-se abertas as inscrições para os Cursos de Auxiliar de Laboratório, Operador de Raios X, Operador de Radioterapia, Massagista, Ótico Prático e Laboratorista. Todos êsses Cursos são reconhecidos pelo Serviço de Fiscalização da Medicina.

• Estão abertas na Escolinha de Recreação Sócio-Cultural as inscrições para o Curso de Piano (professora Daysi de Luca), a ter início dia 10 na filial do Flamengo. Informações na Av. N. S. de Copacabana, 435, grupo 1207, telefone 37-2687.

• Através do IBECC, o Serviço Nacional de Teatro foi cientificado do início, em setembro, em Londres, dos Cursos de Diretor e Instrutor Profissional. Informações mais amplas: Drama Centre, London, Ltd., 176 Prince of Wales Road, Chalk Farm, London, N. W. 5.

• Começará dia 20, em São Paulo, o XX Curso sôbre Rotinas Trabalhistas, promovido pela Federação e Centro das Indústrias. Inscrições e informações no Viaduto Dona Paulina, 80. As aulas serão dadas pelo professor José Serson.

3. Jornal do Commercio (1969)

Veículo: Jornal do Commercio (Rio de Janeiro)

Data / Edição: Ano 1969 / Edição nº 00089

Jornalista / Autor: Oswaldo Miranda

Título: Discos — Samba e Violão Vol. 2 e o preciosismo de Neco

Discos — Samba e Violão Vol. 2 e o preciosismo de Neco

Oswaldo Miranda

Tem a etiqueta London o LP há pouco dado ao público pela Odeon com o violonista Neco. Samba e Violão Vol. 2, com êsse instrumentista, é uma nova afirmação do excepcional valor do músico brasileiro.

Pouco sei de Neco. Pertence à Orquestra da TV-Tupi, onde funciona na obscuridade de suas obrigações, como parte de um todo. Dias atrás, a produção de Bibi, ao vê-lo vir à frente das câmeras, para que se descobrisse um pouco, tal como aconteceria também com Geraldo Vespar, outro magnífico violonista. Bibi pretendeu revelar os grandes anônimos, e Neco e Geraldo tocariam com a orquestra de Cipó os arranjos feitos, creio que para Apito no Samba, se não me falha a memória. Não pude falar ao Neco naquela noite e hoje sei que êle está de férias no Canal 6. Desejava ter alguns informes sôbre êsse valoroso astro das seis cordas, já que o LP nada traz a respeito. A contracapa é apenas a reprodução em prêto e branco da capa a côres.

A produção deve ser de Milton Miranda. Mas vocês vão ver que saborosa coisa é essa de se ouvir um violão — violão de mestre — atuando ao lado de um fabuloso trio de flautas e uma bateria. Incrível como, partindo-se do simples, possa-se chegar de imediato ao esplendoroso. Tocando firme, limpo, hábil, solando e aplicando com absoluta justeza os acordes modernos, Neco perpetua no disco uma exibição magistral de violonismo popular. Tocador de violão de 1934, quando me licenciei de minha arte, até 1946, ao desencantar-me com o meio artístico — e tenho a convicção de que cheguei a tocar muito bem, segundo os mais avançados padrões do violão atualizado às exigências da harmonização — sinto-me perfeitamente à vontade para sentir a grandeza da arte de Neco. Trago-o com êsse disco à primeira linha dos principais instrumentistas populares brasileiros e aplaudo-o com sinceridade. Vejo-o, componente da orquestra da TV-Tupi, como um humilde servidor da pauta e do maestro e, por isso mesmo, exato. Agora, só encontrá-lo, de dois anos, mecânica exuberante, som precioso, dissonância na medida, ritmo integral, como síntese de um LP consagrador.

Mas que não faltem elogios ao arranjador, ao mago que tanto soube pedir das flautas e que tão fulgurantemente soube mesclá-las ao jogo do violão e do baterista — de resto, também senhores instrumentistas. O universal do grupo pode ser tranquilamente observado na maneira com que êles criam a atmosfera do samba tradicional (Despedida de Mangueira ou Implorar, por exemplo) com o samba moderno e com o efeito impresso a Andança e o Sabiá, composições que, se o corpo do Festival Internacional da Canção não me haviam sensibilizado, encantam-me agora e me levam a uma retribuição sôbre o julgamento severo feito por mim mesmo. Isto é um serviço inestimável prestado por Neco, seu violão, as flautas, o ritmo, no LP em causa.

Recomendo o disco, cujas faixas são as seguintes: Andança, Danilo Caimi-Edmundo Souto-José; É Preciso Cantar, Marcos-Paulo Sérgio Vale; Sabiá, Tom Jobim-Chico Buarque; Você Passa, Eu Acho Graça, Carlos Imperial-Ataulfo Alves; Despedida de Mangueira, Benedito Lacerda-Aldo Cabral; Canção do Amanhecer, Edu Lôbo-Vinícius de Morais; O Cantador, Dori Caimi-Nelson Motta; Sonho de Lugar, Marcos-Paulo Sérgio Vale; Helena, Helena, Helena, Alberto Land; Implorar, Kid Pepe-Germano Augusto-Gaspar; Retrato em Prêto e Branco, Jobim-Chico; Cherinho A, Neco.

4. Revista do Rádio (1964)

Veículo: Revista do Rádio (Rio de Janeiro)

Data / Edição: Ano 1964 / Edição nº 00780

Jornalista / Autor: Não identificado (coluna de discos)

Título da Seção: Noticiário de Discos / Lançamentos (Itens 7, 8 e 9)

7 — Alguns bons discos da bossa-nova que variam de 4 a 5: “Vagamente”, com Wanda Sá; “Edison Machado é Samba Nôvo”; “Diagonal”, com Johnny Alf; “Tema 3D”, com “3D”; “A Bossa-Nova e o Violão”, com Paulinho Nogueira.

8 — Vêm agradando os LPs da nova gravadora Equipe, de Osvaldo Cadaxo. Os discos: “Samba Nova Concepção”, com o conjunto Equipe, tendo arranjos do violonista Neco, e “Impulso”, com “Os Catedráticos”, com arranjos de Eumir Deodato.

9 — O que mais sucesso vem fazendo é “Impulso”, com o conjunto liderado por Eumir. Êste é um dos bons valores do samba nôvo, e para tanto podem constatar os seus arranjos para o conjunto do Menescal, para o LP de Marcos Valle e para êste “Impulso” e “Vagamente”, LP de Wandinha Sá para a RGE. Eumir já é uma realidade e uma escola da nossa música moderna.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Mudança de ventos!




Pedi para uma IA escrever esta postagem e ficou do jeito que voces estão lendo abaixo... Nada tenho contra o uso das IAs para facilitar a nossa vida, no sentido mais prático, ou seja, ajudar nas pesquisas, nas buscas por imagens, resenhas antigas e tudo o mais que possamos usufruir. Posso garantir que, nas postagens do blog, não utilizarei IAs com outro objetivo, o texto sempre será meu. Obrigado e, em breve, novas postagens.

Dez anos depois: de volta aos 33 RPM

A última postagem deste blog foi em 2015. De lá para cá, a forma como consumimos cultura mudou radicalmente: a música virou fundo para vídeos curtos, o feed dita o ritmo e a pressa tomou conta da escuta.

O Arquivo VinylManiac retorna justamente para ir na contramão desse fluxo. Este espaço continua sendo um lugar de escuta atenta e pesquisa dedicada aos discos e acervos esquecidos, aos livros fora dos rankings e ao cinema que merece ser lembrado. Sem a pressão do algoritmo ou a correria das redes.

Seja bem-vindo de volta. Puxe uma cadeira, leia com calma e fique à vontade para acompanhar os próximos garimpos e resenhas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Brasil - Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto, Maria Bethania, Orson Welles


Gênero: Documentário

Subgênero: Musical

Diretor: Rogério Sganzerla

Elenco: Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto, Maria Bethania, Orson Welles

Duração: 11 min

Ano: 1981

Formato: 35mm

País: Brasil

Local de Produção: RJ

Cor: Colorido

Sinopse: Curta-metragem comemorativo do lançamento do décimo disco durante o cinqüentenário de nascimento de João Gilberto. Com trilha intitulada "Brasil", gravado com Caetano, Gil e Maria Bethânia. A execução do disco em diferentes fases e distâncias, registradas em contraponto com flashes de personalidades da vida nacional, representados em uma situação limite (O que é o Brasil? O que é o brasileiro?) - "O Brasil, dizia Oswald de Andrade, " vive em estado de sítio desde a idade trevosa das capitanias".


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Booker Pittman - Documentário de Rodrigo Grota - 2008


Booker Pittman
Gênero: Documentário
Diretor: Rodrigo Grota
Elenco: Cléo de Páris, Edson Montenegro
Duração: 15 min
Ano: 2008
Formato: 35mm
País: Brasil
Local de Produção: PR
Cor: P&B
Sinopse: Londrina, jazz, 1950. 

O Flash Player precisa estar acionado para assistir ao filme. Melhor visualizado no Opera e Firefox    



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Neuci - A Estrelinha Solitária (1964) - Resenha, História e Faixas do LP


Capa do LP raro Neuci A Estrelinha Solitária 1964 gravadora Philips



Nota esta resenha foi pesquisada, redigida e publicada originalmente neste blog em 18 de setembro de 2015— anos antes de o álbum ser catalogado por grandes bancos de dados digitais como Discogs e IMMuB. O texto abaixo preserva o registro pioneiro do resgate deste raríssimo LP, com informações exclusivas que você não encontra em nenhum outro lugar da internet.


Philips P 632728 L - 1964

Neuci Ramos era jogadora de basquete no Botafogo (daí a óbvia menção a "Estrelinha Solitária") e na seleção brasileira. Um caso parecido com a da também cantora Simone. Relativamente parecido...Neuci tocava violão, Simone não. Simone vendeu milhões de discos e ficou multimilionária, já a Neuci...

Bem, até o ano do lançamento do disco, em 1964, Neuci já havia ganhado nada menos que cinco campeonatos cariocas, além de tres brasileiros atuando pelo Botafogo, e um sul-americano pela seleção brasileira em 1957.

Nascida em Icaraí, em Niterói (RJ) conta-se que cresceu convivendo com um violonista e cantor amador chamado Vadeco e apaixonou-se pela música. Sorte que o Mastro Monteiro de Souza era amigo de infancia do pai dela e convidou-a para gravar na Philips um único LP com músicas apenas da Neuci e outras em parceria com o próprio.

Melhor que palavras será escutar o disco em questão e tirar suas próprias conclusões. Esta postagem é uma homenagem ao meu amigo Wolf, um querido amigo brasileiro/alemão a quem muito prezo. E, óbvio, para todos voces que ainda prestigiam este blog. Prometo que vou cuidar dele com mais frequencia. Abraços e saúde.

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital em território nacional, portanto...

Aproveitem!


1. Vamos Brincar de Roda
    (Neuci)

2. Moleque de Rua
    (Regina Werneck / Roberto Nascimento)

3. Tempo ao Tempo
    (Neuci)

4. Saudade a Dois
    (Osmar Navarro / Alcina Maria)

5. Segredo de Amor
    (Neuci)

6. Tema Só
    (Neuci / Carlos Monteiro de Souza)

7. Não Somos Dois
    (Neuci / Carlos Monteiro de Souza)

8. Eu Mais Que o Sol
    (Neuci / Carlos Monteiro de Souza)

9. Meu Céu Sem Você
    (Neuci / Neusa Ramos da Silva)

10. Cor de Triste
    (Carlos Lima / Roberto Nascimento)

11. Não Dependo de Você
    (Nelcy Noronha)

12. Flor Ilusão
    (Neuci)
  

Para fazer download:













quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Bossa Trio - Copacabana 3526






Copacabana Selo Bossa Copa 3526 - provavelmente de 1966

Impressionante como as gravadoras gostavam de nos torturar... quem são os integrantes deste conjunto?

Espero que algum dos meus prováveis leitores tenha esta informação, a música agradecerá! Esta postagem vai para o leitor Xavier que solicitou o "disquinho", está aí Xavier. Pena que eu não possua melhores informações, mas o conjunto tinha futuro como grupo (não sei se seguiram carreiras solo) basta reparar o primoroso improviso que fazem na faixa "Feio não é bonito" e também nos temas compostos por prováveis integrantes do "combo", Wilson (?) e Williams (?) É isto aí...


Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!


1a. Tema em Dó (Wilson)

1b. Feio não é bonito (Carlos Lyra / Guarnieri)

2a. Bossa Trio Tema (Williams)

2b. Chuva (Durval ferreira / Pedro Camargo)



















sábado, 5 de outubro de 2013

Os Cinco-Pados Chantecler CMG 2300 - 1964








Chantecler CMG 2300 - 1964

Ia reclamar das gravadoras por ocultarem este tesouro da nossa música instrumental quando me deparei com um relançamento em CD pela Warner em 2002 e totalmente esgotado, a menos que voces queiram pagar até US$ 199 por uma cópia em cd na Amazon...

Possui sonoridade impecável, ótima ambientação e um detalhe que o torna um disco diferente da maioria dos discos de conjunto realizados à época: o piano foi substituído pela guitarra. Neste caso, a guitarra de Heraldo do Monte, o arranjador da maioria das faixas. Destaques à parte, a excepcional atuação do conjunto, particularmente do Arrudinha, em "Sonho e Visão", de Luiz Chaves

Os Cinco-pados eram: • Heraldo do Monte: Guitarra • Gabriel Bahlis: Contrabaixo • Carlos Alberto Alcântara: Saxofone (muitos sites creditam o sax ao Hector Costita, não é verdadeiro isto) • Walter Correia Arruda ''Arrudinha'': Bateria • Dorival Auriani ''Buda'': Pistom

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital em território nacional, portanto...

Aproveitem!


1. Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Moraes)

2. Milestones (Miles Davis)

3. Amanhecendo (Roberto Menescal / Luis Fernando Freire)

4. Chantili Com Carne (K. Burrel)(Candinho)

5. Bossa-banca (Johnny Alf)

6. O Barquinho (Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)

7. Jacqueline (Heraldo do Monte))

8. A Fonte (Luis Chaves)

9. Sete Contos (Hermeto Pascoal)

10. Sonho e Visão (Luis Chaves)

11. Mania de Maria (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)

12. Menina Flor (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)



Para fazer download:













quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Todos os links quebrados estão refeitos - All links working

Bem, o título da postagem é auto elucidativo. Se por acaso alguém descobrir algo que esteja errado agradeço de antemão o aviso.

ps: como os comentários agressivos e ameaçadores não pararam (já deletei todos) só me resta fazer uma coisa que jamais pensei fazer: vou moderar qualquer coisa que não esteja relacionada ao blog e a música em geral. É isto aí, bola pra frente, muita saúde e paz no coração de vocês! 

sexta-feira, 8 de março de 2013

À respeito de comentários no blog

Estou muito chateado com a participação de algumas pessoas comentando aqui no blog. Não gostaria de perder o meu precioso tempo, nem o de voces, para ler comentários com palavrões, ameaças e outras coisas, não é da minha índole. Não estou defendendo o meu amigo de muitos anos, Niromar Fernandes, pelo que escreveu, não tenho procuração e nem ele precisa de mim para se defender. Apenas acho que, como qualquer pessoa, inclusive as que postaram comentários com cores muito fortes, ele tem direito de manifestar-se sobre o que pensa. Deixemos isto para lá. 

O importante é que vou refletir sobre a continuidade do blog, com os comentários democraticamente ativados, ditatorialmente desativados - o que jamais imaginei pensar - ou, simplesmente, desativar o blog. Vou decidir, se as pessoas "sensatas" quiserem comentar à respeito, estou com o coração e ouvidos abertos para ler o que têm a dizer.

Estou "na minha terra Bahia onde o mar e a poesia tem um porto: Salvador", dizia Gilberto Gil. Enquanto não retorno para casa vou me dedicar a observar os links quebrados (já percebi que são muitos) e transferi-los do Rapidshare para o Mediafire que, até agora, não falhou.

É isto, muita paz e alegria no coração de todos voces.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mergulhador - Candinho e Cussy de Almeida


























PHONODISC 0.30-404-142 - 1978

Encontrei este disco no laptop e guardei para finalizar o ano com ele. Todas as informações a respeito de Candinho, que foi um dos expoentes e "fundadores" da bossa nova, quanto a respeito de o maestro Cussy de Almeida são facilmente encontradas no Google. Portanto, não vou perder muito tempo.

Este é um disco ao mesmo tempo estranho, pela sonoridade do violão contrastando com a agudeza do violino, quanto belo. Trata-se de um fonograma muito raro pois foi lançado em edição limitada, espero que meus eventuais leitores gostem. Aproveito para desejar a todos um ótimo Natal, em paz, e um imenso 2013 com muita saúde para todos!

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!


1. Dorme (Candinho e Ronaldo Boscoli)

2. Arraial do Cabo (Candinho)

3. Mergulhador (Candinho e Lula Freire)

4. Tema para Nelly (Candinho)

5. Canção do velho cais (Candinho e Paulo César Pinheiro)

6. Farol de Olinda (Candinho)

7. Tema para Cussy (Candinho)

8. Sonhando (Candinho e Lula Freire) 

9. Sem mais chorar (Candinho e Lula Freire)

10. Madrugada (Candinho e Marino Pinto)


Para fazer download:














sábado, 3 de novembro de 2012

Sem novidades

Aos eventuais leitores informo que o blog não está abandonado. Estou viajando muito e não tenho em meu notebook, algum disco que não esteja postado, ou que não seja fácil de encontrar em outros blogs mais interessantes que este aqui. Assim que retornar vou me dedicar exclusivamente a este pedaço. Penso até em colocar discos que tenho em duplicidade para eventual venda caso seja de interesse de algúem. Algo do tipo: faço a postagem, quem se interessar pelo original coloco o link para o Mercado Livre onde poderá ser adquirido. Espero que todos estejam bem e com saúde, principalmente os amigos que moram em New York e cercanias. Abraços!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O INIMITÁVEL AGENTE DO SAMBA QUE NASCEU EM REALENGO (RJ)

























O INIMITÁVEL AGENTE DO SAMBA QUE NASCEU EM REALENGO (RJ)

O nosso gênero musical mais difundido no mundo é o samba. O samba ao nascer na Bahia (referência mais aceita) e, em seguida, rumar para todo o Brasil trouxe à nação uma agregação musical relevante. Por isto, e em razão de que o seu nascimento foi espontâneo não se pode dizer quem o inventou. Em assim sendo e a partir daí, em vão, inúmeras pessoas tentaram sintetizar, decodificar, explicar, interpretar e mais, converter o samba em regras simplistas para se praticar e estabelecer um procedimento palpável com a finalidade de se ter o domínio sobre ele e de tudo o que ele tem a oferecer. Não foi e nem será possível isto. O samba é soberano. Mesmo tendo se espalhado pelo mundo, as pessoas não se dão conta de que o samba não faz concessão. Se o músico não tocar como ele quer, a denúncia é estampada na hora.

No samba, a marcação do tempo forte é e sempre será no primeiro tempo do compasso, claro, sem acentuação (é o que João Gilberto faz por ter observado esta prática no jazz). Não adianta fazer marcação forte no segundo tempo do compasso como se faz em outros gêneros musicais. Se assim o músico proceder, o que é comum, o samba claudicará e aí será outra coisa, menos samba. Para se tocar samba, é sine que non ter a sua permissão. Permissão esta que é dada à pessoa que ficará subordinada à condição de súdito. Nada além. Samba é samba. O samba não requer sobrenome. Não é possível adjetivá-lo. Não tem como fragmentá-lo ou fracioná-lo. O samba não pode ser visto como uma repartição pública com suas unidades, subunidades e respectivos setores. É um erro imperdoável caso não seja obedecido este princípio inelutável.

Após infindáveis anos de estudo sobre o gênero, observei que entre os poucos músicos escolhidos para serem súditos, havia um que se distinguia desses poucos e ele era uma figura que mais se assemelhava a um anjo. Músico extremamente doce. De um candor sem par e com uma conduta musical e moral singular. Quase sempre calado, mas com um semblante que transmitia tranquilidade e generosidade. Esse anjo chamado Daudeth Azevedo teve como codinome simplesmente Neco. Ele tinha plena consciência de que entendia de samba e pleno domínio na execução do samba. Com Neco o samba se mostrou mais amplo. Mais horizontal. Mais flexível e com muito mais outras possibilidades. A sua divisão rítmica era invejável com utilização de uma harmonia muito coerente e bem fornida. Sua mão direita não utilizava e nem sobrevivia de harpejo. Tocava ao mesmo tempo, graciosamente, com todos os dedos da base de sua mão direita. Conceituo que divisão rítmica, tanto para Neco quanto para João Gilberto, é o nome correto que se tem que dar para a denominação desacertada de “batida”. Nenhum dos dois agride o violão. Isso é para Baden Powell e seus seguidores que nunca foram sambistas.

Daudeth Azevedo, homem com um pouco mais de 1,60m de altura, ao empunhar seu violão tornava-se um gênio gigantesco. Ele era incomparável. Certa vez numa reunião de amigos aqui em Brasília, uma determinada pessoa se identificou como irmão do Geraldo Vespar, disse-me que na opinião do seu irmão, o Neco foi o melhor violonista/guitarrista que aparecera no Rio de Janeiro. Curiosamente me disse que o seu nome também era Geraldo e que todos os seus irmãos foram registrados com o mesmo nome - Geraldo. Neco que mais se parecia a um anjo, passou por aqui e não foi notado tal era sua singeleza e sutileza. Isto se deve também ao fato dele ser extremamente modesto e ter aceitado ser um agente de confiança do samba. Foi um verdadeiro mensageiro leal desprovido de vaidade. Por ser tão simples e corajoso, Neco me falou com muita naturalidade das dicas que Nestor Campos (este mais injustiçado ainda) passou pra ele. Somente o Neco teria coragem de dizer isto.

Concernente a violonistas, para o universo do samba apareceram dois geniais violonistas intérpretes: Daudeth Azevedo (Neco) e João Gilberto. Esses dois gênios são contemporâneos (não se encontraram pessoalmente) e tiveram em comum a dedicação exclusiva ao samba. Não importa o tema do gênero musical que os dois executem em seus violões nas gravações, a questão cerebral, de propósito, fala mais alto e tudo vira samba. Valsa vira samba. Jazz vira samba. Baião virá samba e por aí vai. Não existe estatística para o que noticio, todavia, penso que, tranquilamente, Neco participou de gravações de mais ou menos 600 discos. Deixou registrado fonograficamente a sua maravilhosa personalidade musical. De modo prático, afirmo que Neco gravou o melhor e mais importante disco produzido neste país. O irônico é que ele me disse que não ganhou um tostão por conta do disco. Os arranjos ficaram a cargo do também genial Nelsinho do Trombone. O disco é de 1966 e foi gravado exclusivamente para o mercado inglês, se chama “Velvet Bossa Nova”. É o que há de melhor e mais expressivo referente a samba. É uma verdadeira obra de arte.

Vale alertar que, o disco Chega de Saudade - do João Gilberto, sua notoriedade se deu especificamente no tocante à revelação de um novo cantor extraordinário e de um violonista inovador que inventou para o samba uma original maneira para tocá-lo. Considero que a abordagem implementada por João Gilberto ao violão nesse disco e nos dois posteriores permanece ainda inédita tal é sua importância. Esse ineditismo alcança também ao próprio João Gilberto visto que depois dos três primeiros discos gravados no Brasil não mais conseguiu reproduzir aquele exuberante e extraordinário trabalho paradigmático. Há muito eu já havia me dado conta disto e, provavelmente, João Gilberto não teve a mesma percepção. A vida impôs a ele esta cilada e, consequentemente, o melhor mesmo foi ficar em casa e fazer pouquíssimos shows já que ele é extremamente vaidoso. O fenomenal artista acabou por se transformar em dois personagens diferentes que lhe causou uma crise de identidade entre o que ele foi e o que é. Ainda assim, ninguém harmoniza tão bem uma música como João Gilberto. Ninguém conseguiu tirar isso dele (nem ele mesmo), mas sua execução ao violão posterior aos três primeiros discos não mais foi possível constatar.

O primeiro disco do João Gilberto tornou-se clássico exclusivamente por conta dele e não pelos arranjos que Tom Jobim elaborou ou mesmo pelos músicos partícipes. Aliás, em todas as faixas desse disco se nota mais a presença determinante do violão como condutor do que pelos arranjos creditados ao Tom Jobim. Sem falar que a gravação técnica no estúdio foi muito inferior em relação a outros discos que naquele período foram gravados na ODEON.

Já o disco “Velvet Bossa Nova” não padece dessas falhas e nem de outras. É um disco acabado. Não tem como retocá-lo. Foi relançado em CD e se encontra fora de catálogo. Ao adquirir o CD do “Velvet Bossa Nova” impressionou-me o fato de que um jornalista desinformado confeccionou a ficha técnica completamente errada. Retirou nomes de músicos que participaram e colocou outros que não participaram da gravação. Só não retirou o nome do Neco porque na capa está escrito “Neco's guitar and the Ipanema Strings”. Se assim não fosse, mais uma vez, Neco teria sido descartado. A arrogância desse dublê de jornalista foi grande visto que nessa época o Neco morava na Tijuca (RJ). Bastaria um telefonema para a residência dele e a informação sairia correta. O Neco me disse que os músicos participantes da gravação foram: Arranjos: Nelsinho do Trombone; Violão e arranjos: Neco (Daudeth Azevedo); Piano: Zequinha Marinho: Bateria: Wilson das Neves; Contrabaixo Acústico: Luiz Marinho: Flauta: Meireles. Nesse contexto, Neco foi campeão em ter seu nome omitido na maioria dos discos em que participou.

Nesses discos o seu violão foi capaz de dar maior expressão às gravações que se por ventura o ouvinte pudesse retirá-lo, o contexto sonoro seria outro e causaria estranheza que poderia pensar que estaria incompleto. Inscrevo neste texto que, se de um lado João Gilberto (músico muito específico) e Neco (músico polivalente que tocou de tudo e com todos) foram capazes de inventar um novo jeito de tocar samba ao violão; por outro lado, o luthier - Sr Romeu Di Giorgio foi o italiano genial que, desde 1908, havia inventado a personalíssima e inigualável sonoridade para violão brasileiro que, muito tempo depois, o samba encontrou seu melhor amparo sonoro.

Tive que deixar por derradeiro o Sr Romeo Di Giorgio, não por ser menos importante, para reverenciar essa personalidade que por ser também grandiosa está no nível de criatividade do Neco e João Gilberto. Ele é o terceiro vértice do triângulo de gênios que lamentavelmente os músicos brasileiros, estrangeiros, compositores, jornalistas, escritores e apreciadores do samba nem sabem que existiu. Esses três notáveis continuarão e permanecerão ignorados, por conseguinte, injustiçados. 

Com a invenção do violão Di Giorgio Author nº 3, pelo Seu Romeu Di Giorgio, foi possível registrar fonograficamente uma sonoridade definida, agradável, clara, cheia, melodiosa, bela, grave e harmoniosa que se tem notícia. Tanto isto é verdade que esse instrumento quando deixou de ser utilizado em gravações, rapidamente o movimento bossa nova desapareceu.

O Di Giorgio Author nº 3 exerceu um papel diferenciador com grande expressão e não permitiu sua substituição. O pior é que isto até hoje ninguém percebeu ou se deu conta. Infelizmente, muito se alardeou que outros dois instrumentos, piano e bateria, foram destaques maiores do que o violão, em particular, para o movimento bossa nova, isto é uma argumentação que não tem sustentação e é completamente refutável. Basta raciocinar um pouquinho e perceber que a partir do momento em que todos os músicos brasileiros consagrados, inclusive João Gilberto, passaram a utilizar outros tipos de violões, suas identidades sonoras desapareceram e o movimento ruiu em definitivo. Piano e bateria não conseguiram preencher o vazio deixado pelo violão Di Giorgio Author nº 3 que João Gilberto utilizou pioneiramente nas gravações dos primeiros discos e que também foi utilizado largamente por todos os outros músicos.

Isto se tornou consenso e o som do movimento bossa nova estava patenteado É muito oportuno falar que, o som das outras duas marcas: Del Vechio e Giannini não eram iguais, apenas se assemelhava ao do Di Giorgio. Interessante também é perceber que a excepcional invenção do Sr Romeu Di Giorgio não foi utilizada somente em samba, todos os outros estilos musicais no Brasil daquela época se serviram do instrumento. Mesmo com toda essa importância, ainda assim, o Sr Romeu Di Giorgio não pôde atender ao pedido heterodoxo (carta escrita ao Reinaldo Proetti) do multifalado maestro Tom Jobim (não conheço nenhuma orquestra que ele tenha conduzido), que fabricasse um violão Di Giorgio climatizado para os Estados Unidos. Como isto seria possível?

Por último, há de se levar em conta de que o que escrevi é o meu entendimento pessoal e é um pequeno introito a um tema que ainda é desconhecido neste país. País este que tem um Ministério da Cultura, mas seus representantes não sabem diferenciar “entretenimento” de “cultura”. É a vida. Até de repente se Deus assim permitir.

Niromar Fernandes (www.myspace.com/niromar) Brasília (DF). 20.4.2011.




London LLB 1006 - 1966


Aproveitem!

1. Minha Namorada (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)

2. Insensatez (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

3. Saudade da Bahia (Dorival Caymmi)

4. A Felicidade (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

5. Água De Beber (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

6. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá / Antônio Maria)

7. Chuva (Durval Ferreira / Pedro Camargo)

8. Chove Lá Fora (Tito Madi)

9. Maria Ninguém (Carlos Lyra)

10. Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

11. Reza (Edu Lobo / Ruy Guerra)

12. Meditação (Tom Jobim / Newton Mendonça)















sábado, 30 de junho de 2012

CHAIM... E SUAS TECLAS MÁGICAS - 1960


























Copacabana CLP 11166 - 1960

Comecei a escrever sobre músicos brasileiros que, indignadamente, julgava não existir razão para serem atirados ao limbo, lá atrás, em 1999, para ser mais preciso. Tinha um site chamado "Tesouro Musical" que era abastecido pela minha coleção e pela inestimável contribuição dos sempre amigos: Sérgio Ximenes, um dos maiores colecionadores de discos do Brasil, o já conhecido pelos amigos do blog Niromar Fernandes, extraordinário violonista, e o meu caro e saudoso Caetano Rodrigues. Também tive a ajuda do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, que me abriu as portas para vários músicos e cheguei a levar o projeto de escrever um livro sobre o assunto ao Ministério da Cultura, obviamente em vão. Sem apoio financeiro para fazer pesquisas, viagens, etc, etc a coisa ficou inviável.

Em 2001 registrei o site "Batutas". Mal poderia supor que, anos depois, o gigante UOL usaria este nome para designar a rádio que até hoje "toca no seu dial"...

Vida que segue, viagens para lá, exterior, mudanças radicais e, na volta, resolvi continuar.
Surgiu, então, em 2003, o Vinyl Maniac, que antes era um site comum e depois virou um blog, coisa que nem sonhavamos existir. As mudanças visuais foram acontecendo ao longo dos anos e me arrependo por não ter salvado os modelos anteriores, cujos comentários eram, imensa maioria, muito melhores que os posts.

Mas por que escrevo tudo isto? Porque pretendo mostrar a dificuldade que encontramos aqui para salvaguardar a memória dos nossos músicos, coisas do desmiolado e desmemoriado Brasil.

Ok, aí em cima tem um disco de um dos meus pianistas prediletos, e agora conto a minha saga para fazer esta postagem. 

Quem foi Abraham Chaim Levack (Caim em portugues e Hayme em ingles)? Como chegou ao Brasil, como, em pouco tempo, se tranformou num dos mais importantes músicos atuando em território nacional? Perguntas sem respostas.

Sabia que, após reconhecidas performances em diversas casas noturnas, dentre elas a Vogue, Copacabana Palace, gravações memoráveis com Moacyr Silva, participação brilhante no disco Coisas do Moacir Santos, ser o pianista exclusivo da Radio Nacional, Chaim tinha ido para os USA, mas e aí?

Aí, em 2001, apelei para a Daniella Thompson que colocou a minha pergunta "onde anda Chaim Levack?" na lista chamada LatinJazz da qual era moderadora. Enquanto aguardava alguma resposta, numa tarde qualquer, estava ouvindo um disco do cantor americano Jackson Browne e percebi que o baterista chamava-se Mauricio Levack. 

Muita coincidencia e mandei um email para o site do cantor perguntando se havia algum parentesco com o Chaim. A resposta foi: sim, era seu filho!

Opa, estava aberto o caminho. Mas nada do Mauricio me responder sobre seu pai. A Daniella, então, executou um papel fundamental: descobriu o email do Jose Marino (Zelão) baixista do Walter Wanderlei que morava nos USA e, ainda mais, o email da cantora cubana Candy Sosa que atuou com Chaim na melhor casa noturna de Los Angeles (La Macia) onde ele tocou esplendidamente, acompanhando artistas do naipe de Vic Damone, Diane Carroll, Celia Cruz, além dos conjuntos de Sérgio Mendes e Tito Puente. La Macia era a única casa noturna na cidade onde se podia ouvir música latina, coisa que Chaim adorava. 

Nascido em Israel, aprendeu a tocar piano com sua mãe, atuou no Moulin Rouge, peregrinou pelo mundo e veio para o Brasil em 1955; falava fluentemente hebreu, portugues, frances, alemão, ingles e espanhol. Era um tremendo glutão e adorava jogar poquer. Tocou no já citado disco do Moacir Santos, no disco Os Cobras, em praticamente todos os discos do Moacyr Silva (também como Bob Fleming), no fantástico Quarteto Nostalgia e em todos os discos do Paulinho (baterista) e seus Night Boys. Nos USA, gravou com a Candy Sosa, com Tito Puente, fez parte da prestigiosa orquestra de Nelson Riddle e fez trilhas sonoras para filmes da MGM. Faleceu em 1999 (Los Angeles) fazendo o que mais gostava: tocando seu piano. Teria muito mais para contar, mas são coisas particulares e que iriam fazer o post maior do que já está.

Esta postagem é uma homenagem a Daniella Thompson, Candy Sosa e Jose Marino. Mauricio Levack, seu filho, talvez até em função dos acontecimentos nos USA em 2001, não me forneceu maiores informações sobre seu pai...infelizmente.

Este disco não é dos seus melhores embora eu goste muito. Nele atuam Paulinho Magalhães na batera; Waltel Branco no violão; Luiz Marinho no baixo e Pedro (Sorongo) Santos na percussão.

Ouçam a bela "O amor e a rosa" e percebam como Chaim não consegue fugir de sua veia jazzistica e entorta a música nos improvisos. Um pianista que influenciou toda uma geração de músicos, grande Chaim Levack!   

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!

1. Sorongaio (Pedro Santos)

2. Autumn In Rome (Alessandro Cicognini / Paul Weston / Sammy Cahn)

3. O Amor e a Rosa (Antônio Maria / Ayres da Costa Pessoa "Pernambuco")

4. Una Aventura Mas (Oscar Kinleiner)

5. On The Street Where You Live (Alan Jay Lerner / Frederick Loewe)

6. Inferno Verde (Pedro Santos)

7. Stompin' At The Savoy (Edgar Sampson / Benny Goodman / Chick Webb) 

8. Donde Estará Mi Vida (Antônio Lopes / Quiroga Segovia / Francisco Naranjo Caldera / Ignacio Roman Jimenez)

9. Bem Feliz (Garcia Júnior / Geraldo Barbosa / Lourival Perez)

10. Flamingo (Grouya / Anderson)

11. Mack The Knife (Moritat) (Kurt Weill / Bertold Brecht)

12. Sorongando Em Madrid (Pedro Santos)















segunda-feira, 14 de maio de 2012

Astor Silva - Um brasileiro em Roma - 1959


























Odeon MOFB 3078 - 1959

Apenas curtam, como sempre fiz, este espetacular disco do Astor (o seu segundo gravado com orquestra) e percebam a categoria daquele que foi um dos nossos melhores maestros. Google nele e teremos muitas informações. Poderia, e espero em breve colocar aqui mais coisas do mestre, optar por uma obra específica dentre vários LPs. Todavia, não consegui vislumbrar esta bolacha em outros blogs, então vamos com ela.

Para variar, a Odeon nos deixa "no escuro" com relação aos músicos que acompanham Astor na sua jornada italiana. Mas posso, sem medo de errar, destacar o imenso Wilson das Neves na batera, no ritmo Rubens Bassini, no baixo Luiz Marinho, o irmão Zequinha Marinho no piano e por aí vamos. O disco é excelente, espero que gostem dos arranjos "sambísticos" para temas demais conhecidos, mas que, aqui, têm melhor sabor de feijoada que uma boa pizza. Desculpem a pobre comparação...escutem!

Só mais uma informação: para aqueles que estranharem a curiosa capa, a autoria é creditada aos craques Cesar Vilella e Chico Pereira...sim, concordo, fariam coisas bem melhores no decorrer do tempo. E a Alitália deve ter sido generosa com este nada sutil "merchandising".

Sabendo que não existe a menor possibilidade de encontrar este vinil em cd...

Aproveitem!

1. Ciribiribin (Pestalozza)

2. Arrivederci Roma (Renato Rascel / Pietro Garinei / Alessandro Giovannini)

3. Come Prima (Mario Panzeri / Di Paola / Taccani)

4. Santa Lúcia Luntana (E. A. Mário)

5. Nel Blu Dipinto Di Blu (Volare) (Domenico Modugno / Franco Migliacci) 

6. Guaglione (Fanciulli / Salerno)

7. Concerto D'autunno (Camillo Bargoni / Danpa)

8. O Sole Mio (Eduardo Di Capua / Giovanni Capurro)

9. Piccolissima Serenata (G. Ferrio / A. Amurri)

10. Anema e Core (Salvatore D'Esposito / Tito Manlio)

11. Domani (U. Minucci / T. Velona)

12. Torna A Surriento (Ernesto de Curtis)

13. Scapricciatiello (Pacífico Vento / Ferdinando Albano)



 

http://www.mediafire.com/file/ygbi2azjog6jcof/astor_Um_brasileiro_em_Roma.rar







sábado, 21 de abril de 2012

Jorge Autuori Trio Vol 2 - Mocambo - 1968


























Mocambo LP 40387, 1968

Para o amigo Silvestre: está aqui o disco que voce tanto queria. Em prol da verdade, quanto menos falar sobre ele tanto melhor pois sei que foi relançado há tempo por gravadoras inglesas e japonesas e não posso dar sopa para a SOPA... Mas, e daí? Não pagaram direitos autorais de forma alguma, duvido! Parece estar fora de catálogo e este aqui foi ripado do vinil original e disponibilizo para os meus eventuais leitores.

Além do mais, vale como uma homenagem para o amigo Edson Frederico falecido ano passado. Em função da tal SOPA e da suspensão do blog, sequer pude escrever algumas palavras a seu respeito, no Google voces encontram tudo. Mas era um ótimo pianista, arranjador, enfim, um músico na acepção da palavra. Era simples, humilde com os menos favorecidos musicalmente, meu caso, excelente pessoa. Tenho boas lembranças de várias tardes e vários chopes servidos pelo Paivinha no Jobi (Rio de Janeiro) onde ele me confidenciou - isto mesmo, ninguém sabia - que ele é o "invocado" pianista, palavras dele, deste disco do Autuori que por sua vez sumiu da mídia assim como tantos outros, etc etc etc...lembro do meu amigo Niromar Fernandes...fazer o que Niromar? Autuori é reverenciado no resto do mundo, mas aqui? Bem, uma pena que esqueci de perguntar quem era o baixista...aposto minhas fichas no Edson Bastos, aquele mesmo que, no disco de 1969, estava lá. Tentei confirmar com o pessoal de Os Cariocas (ele, Edson, substituiu o Luiz Roberto quando este faleceu "gloriosamente" numa apresentação do conjunto no Jazzmania, em 1988 no Rio) mas não obtive sucesso. Vamos ao disco que é o que interessa!

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco em território nacional, portanto...

Aproveitem!

1. Pobre Morro (Gilberto Barcellos)

2. Lonely (Sebastian)

3. Anda Luzia (João de Barro) Longe dos Olhos (Djalma Ferreira / Cristóvão de Alencar) Samba da Minha
Terra (Dorival Caymmi)

4. Januária (Chico Buarque)

5. I Say A Little Prayer (Burt Bacharach / Hal David)

6. Eu e a Brisa (Johnny Alf)

7. Voltei (Oswaldo Nunes / Celso Castro)

8. San Francisco (Be Sure To Wear Some Flowers In Your Hair) (J. Philips)

9. Viola Enluarada (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

10. Free Again (A. Canfora / J. Baselli / M. Jourdan)

11. Live For Life (Vivre Pour Vivre) (Francis Lai / Pierre Barouh / Vrs. Norman Gimbel)

12. Autorizando (Jorge Autuori)




 











  

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Carlos Lacerda - Piano de Informal (e Bossa) - JS Discos


























JS Discos JLP 9003, anos 60


Passei minha adolescência morando e estudando em Salvador. Meu pai era amigo de Jorge Amado, Caymmi, Caribé dentre outros tantos baianos ilustres, todos eram amigos de Carlos Lacerda, uma referência musical na Bahia de um tempo que não volta mais, e que marcou profundamente o menino que hoje batuca aqui nos teclados.
Bem, para não ficar uma postagem sentimental, deixo voces com quem sabe melhor do que eu, recomendo muito a leitura do excelente blog Tempo Música aqui:

http://tempomusica.blogspot.com.br/2010/10/carlos-lacerda.html

Apenas para aguçar a curiosidade do leitor, neste discaço Lacerda se faz acompanhar por Moacir Albuquerque no baixo, Tutti Moreno na batera e Miguel na percussão...pouca coisa hein? Ouçam a faixa "Desintegração" e percebam porque este disco, além de ser objeto de cobiça de colecionadores estrangeiros, é um dos mais bem guardados segredos da MPB instrumental.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1. Yuleska
(Paulo Gondim)

2. Fim de Tarde Em Amargosa
(Paulo Gondim)

3. Desintegração
(Ildásio Tavares / Alcyvando Luz / Djalma Correia)

4. Napoli 1005
(Carlos Lacerda)

5. Apolo 11
(Antônio Carlos Pinto / Ildásio Tavares / Berimbau)

6. Estudo Nº 1
(Paulo Gondim)

7. Menina dos Olhos Tristes
(Carlos Lacerda / Jocafi)

8. Temas Folclóricos Baianos
(Tradicional)

9. Giboeirinha
(Carlos Lacerda)

10. Kredo
(Henrique Gregori)

11. Variações Sobre o Prelúdio Nº 4
(Johann Sebastian Bach)

12. Morte do Amor
(Antônio Carlos Pinto / Jocafi / Alberto Santos Pinheiro)













quarta-feira, 11 de abril de 2012

Samba na Onda - Miguel Angel - 1965 - (In Memorian)


























Equipe EQ 807, 1965


Meu amigo e extraordinário violonista Niromar Fernandes, para mim o melhor no estilo samba bossanova, chamou a atenção para o falecimento do uruguaio Miguel Angel Cidras Rivas. Niromar, provavelmente lembrando da ausência absoluta de notícias acerca do falecimento do violonista Neco, me dizia que Miguel era mais um, dentre tantos, que foi completamente esquecido pela mídia. Mas quem foi ele? Foi o arranjador da maioria das músicas gravadas por Raul Seixas, o maestro Orlando Silveira também arranjou muita coisa para o "maluco beleza" mas isto ninguém sabe. E de quem mais? Além de Raul Seixas, Cidras trabalhou com artistas dos mais variados estilos, como Ney Matogrosso, Alceu Valença, Hyldon, Elba e Zé Ramalho, Tim Maia, Erasmo Carlos, Zé Rodrix e Sidney Magal. Do último, é o autor de seu maior sucesso: Sandra Rosa Madalena, a Cigana. Ok, ok, excelente, mas vamos ao que interessa: pianista exímio, Cidras chegou a fazer algum sucesso comercial com gravações de composições próprias em discos cheios de swing da série 'Boogaloo Combo', nos anos 60 e 70. Mas seu único disco próprio foi o LP 'Samba na Onda', de 1965, quando ainda assinava como Miguel Angel. Neste disco, acompanhado do conjunto Os Ipanemas, Cidras recria clássicos da bossa nova e do samba com um piano suingado e infuências de jazz. E é dele que vamos tratar.

A maior parte das informações do parágrafo acima foram colhidas na internet na nota que o jornal Estadão publicou, em 20 de março de 2008, a morte do Miguel Angel. Vamos corrigir poucas coisas: neste disco Miguel se faz acompanhar por "metade" de Os Ipanemas, ou seja, o "monstro" Neco no violão; Wilson das Neves na bateria e Rubens Bassini no pandeiro. Isto já seria suficiente para fazer um discaço, mas o maestro ousou mais: Jorge Arena nos atabaques; Humberto Garin no guiro; Cacho no baixo e o coral do Joab que era, à época, composto por Edgardo Luiz, Alvaro Sena, Arlindo, Valéria e Zezé. Pronto, estava armado o "circo" para mais um grande disco que caiu no esquecimento, juntamente com seu autor e coadjuvantes...mas envelheceu como os melhores vinhos. É excelente, confiram! Chamo a atenção para a faixa "Lagrima Flor", de Billy Blanco. O clima é perfeito, a ambientação também e Neco se sobressai com seu inconfundível violão.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1. Deixa Isso Pra Lá
(Alberto Paz / Édson Menezes)

2. Dá Bola
(Tranca / Luis Sergio Pacce)

3. Telefone
(Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)

4. Na Base do Balanço
(Anselmo Mazzoni / Jorge Canseira)

5. Balanço do Mar
(Zil Rosendo)

6. Lágrima Flor
(Billy Blanco)

7. Isto É Samba
(J. Canseira / Paulo Silva)

8. Bate a Palma
(Trancredo de Oliveira / Luis Sergio Pacce)

9. Balanço Zona Sul
(Tito Madi)

10. Vou Andar Por Aí
(Newton Chaves)

11. Na Roda de Samba
(Orlandivo / Hélton Menezes)

12. Consolação
(Baden Powell / Vinicius de Moraes)













Neco e o disco "Samba Nova Concepção": um reparo histórico

Experimentem colocar o nome do álbum "Equipe ST 803", de 1964, no Google. O resultado será, invariavelmente, um di...