quinta-feira, 31 de março de 2011

Frank Valdor - Live in Rio - Neco, Dom Salvador, Paulo Moura


























Somerset Records - 746, 1979

Estava faltando este disco do Frank Valdor que comprei na Europa ano passado. Mês que vem vamos nos dedicar ao violão e preparem-se para surpresas, acho que vão gostar. Para quem não sabe, Frank Valdor é o rei da "lounge music", ou música para elevadores ou consultório de dentistas, como dizemos aqui. Mas este alemão é esperto, muito esperto e soube fazer fortuna vendendo milhões de discos na Europa. Escolhia um país, um tema, um estilo musical e mandava brasa. Quando escolhia temas latino americanos, não vacilava e lá estavam todos os boleros imagináveis. Achei que este seria mais um do gênero. Mas me surpreendi. Menos pela escolha do repertório, mais pelos músicos que Valdor selecionou para a sua "aventura" no Rio.

Olhem só o time: Edgardo na bateria; Hermes nas tumbadoras; Roberto Pinheiro no pandeiro; Nelson na cuíca; Alexandre nos ganzás; Gilson de Freitas nos tamborins a bongos; Zé Luiz Prates no surdo; Gabriel Bezerra no baixo; Waltel Branco e Neco nas guitarras; Antonio Almeida no vibrafone; Dom Salvador no piano; Aurino no sax barítono; Paulo Moura nos saxes alto e soprano; Jorginho na flauta; Mozart, Darcy Cruz e Heraldo Reis nos trompetes; Ed Maciel, Nelsinho e Lamartine nos trombones...só isto! Até eu Maestro Valdor, até eu...

Não existe a menor chance de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!

01. Brazil (A. Barroso)

02. Samba-Maracutu (Frank Valdor)

03. Ave Maria no morro (H. Martins)

04. Samba de uma nota so (Tom Jobim)

05. Desafinado (N. Mendonça / Tom Jobim)

06. Cachaça Queima (Frank Valdor)

07. A banda (Chico Buarque)

08. Garota de Ipanema (Tom e Vinicius)

09. Mas que nada (Jorge Ben)

10. Olé mulher rendeira (Zé do Norte)

11. Manha de carnaval (Luiz Bonfá)

12. Tristeza (H. Lobo / Niltinho)












sábado, 26 de fevereiro de 2011

Orlando Silveira - Choros - Ontem, Hoje e Sempre





Entré/CBS 104410, 1978


Foi com relativa surpresa que verifiquei a ausencia deste discaço nos blogs musicais. Relativo e compreensível, em termos de Brasil, o fato de jamais ter sido lançado no formato digital, quem se interessa? Nós é claro, eu e meus possíveis leitores. O paulista Orlando Silveira foi um dos maiores músicos e maestros que este país já produziu. Não vou gastar tempo aqui relatando suas proezas, podem ser facilmente encontradas no Google.

Vamos lá: neste disco Orlando faz a direção de produção, direção de estúdio, os arranjos (com sensacional dobra de instrumentos, nível, volume) e rege os músicos. É mole? E quem são os músicos? Orlando sabia muito bem com quem podia contar para fazer um disco 100% perfeito. São eles: o próprio no acordeon; J. Carlos no vibrafone; o genial e recém falecido (quem divulgou? ninguém...) Neco na guitarra; o trio de ouro dos violões Neco, Meira e Dino; Canhoto no cavaquinho; Sérgio Barroso no baixo; o incansável Tião Marinho também no baixo nas faixas Perigoso e Tenebroso; Gilson de Freitas, Jorge Silva e Risadinha no ritmo e finalmente o maior baterista do Brasil: Wilson das Neves. Sabia escalar uma seleção o Maestro Orlando Silveira!
Um amigo sugeriu que colocasse apenas uma faixa para audição, talvez desperte maior curiosidade sobre o restante do disco. Para não dizer que não dei ouvidos vou agir assim com este aqui e vou ver o resultado nos downloads. Mas volto a colocar o disco inteiro quando achar conveniente.

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!

1. Espinha de Bacalhau
(Severino Araújo)

2. Quanto Doi Uma Saudade
(Aníbal Augusto Sardinha)

3. Flamengo
(Bonfíglio de Oliveira)

4. Uma Noite no Sumaré
(Esmeraldino Sales)

5. Equilibrando
(Orlando Silveira / Esmeraldino Sales)

6. Araponga
(Luiz Gonzaga)

7. Modulando
(Rubens Leal Brito)

8. Eu Quero É Sossego
(K-Ximbinho)

9. Tenebroso
(Ernesto Nazareth)

10. Perigoso
(Orlando Silveira / Esmeraldino Sales)

11. Paduando
(Mozart)

12. Simplicidade
(Jacob do Bandolim)












terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Renato Mendes - Órgão de Vanguarda - Chantecler 1965




Chantecler - CMG 2363, 1965


Renato Mendes, PhD em órgão erudito, mantém um desconhecido tesouro guardado em seu apartamento na bela Rua Avanhandava em São Paulo: foi o único brasileiro a conquistar o Prêmio de Música Eletrônica Internacional no renomado Festival de Nidden com seu disco "Electronicus", em 1974. Mas isto ninguém sabe, ou pelo menos se interessou em divulgar. Divulgado está a partir de agora. Nascido em São Paulo (por questão de horas teria nascido no Rio de Janeiro) no dia 04/10/1939, Renato começou a tomar gosto pela música popular quando, na década de 60, substituiu Djalma Ferreira na boite Drink, Djalma mudou-se para os EUA. Ele e o também tecladista Juarez Santana, se revezavam na noite paulistana. A par do seu trabalho com a dita "erudita", Renato lançou seu primeiro disco pelo selo Mocambo (R. M. e seu Órgão), em 1962, lançou este aqui e, no ano seguinte, o famoso Boliche Trio que é um dos "sucessos" de downloads aqui no blog.

Vamos lá: os arranjos e o órgão (sim, o que aparece na foto de Oswaldo Micheloni é um órgão de igreja), são do Renato; a bateria está a cargo do genial Arrudinha, o trompete é do não menos genial Papudinho; Theo de Barros comparece em algumas faixas no violão e também em algumas faixas a flauta fica a cargo de Benê (Benedito Chiaradia, aluno do Renato e participante do grupo Ginga Trio). Eu não gostaria de fazer qualquer comentário sobre as faixas, deixo à cargo dos meus possíveis leitores, mas não posso me furtar a dizer que RM "faz a cama" para execuções virtuosísticas de Arrudinha e Papudinho, são sensacionais! Por fim, como curiosidade, o título da música Tuca "Mad and Mam" que, grosso modo, significa "louca porém Lady" foi feita para a cantora Tuca. A propósito, a faixa está com um ruído irritante nos primeiros segundos, não consegui "arrancar" no SoundForge. Outras curiosidades ( vou esperar ele me autorizar a escrever os pseudônimos que usou para gravar vários discos e percebam que são discos muito conhecidos, vai ser surpresa para muita gente...) e melhores detalhes da vida de mais um praticamente desconhecido grande músico brasileiro numa próxima postagem.

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!

1. Terrase
(Theo de Barros)

2. O Ganso
(Luiz Bonfá)

3. Luciana
(Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

4. Menino das Laranjas
(Theo de Barros)

5. Coalhada
(Hermeto Pascoal)

6. Deus Brasileiro
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

7. Tuca "Mad and Mam"
(Renato Mendes)

8. O Cachorro
(Renato Mendes)

9. Sonho de Maria
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

10. Samba de Verão
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

11. Ela Vai, Ela Vem
(Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)














quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Bobby Mackay - The real Bobby Mackay


























RCA Victor - BBL-1465, 1968


Mas o que faz Bobby Mackay num blog que, em tese, trata de musica brasileira? Acho que devo começar perguntando, quem foi Bobby Mackay? Ok, vamos lá e dentro dos meus parcos conhecimentos, portanto qualquer ajuda será muito valiosa: Bobby, Cy Manifold e Dave Gordon nasceram na antiga Guiana Inglesa e vieram para o Brasil praticamente na mesma época, no início dos anos 60.
Cy Manifold ficou no Rio, Mackay e Gordon em São Paulo, onde achavam que teriam mais oportunidades para trabalhar. E não estavam errados...

Há anos, conversávamos eu e minha querida amiga e ex-companheira Lena Camargo Mariano, irmã do César, e o assunto era música, claro. Lembrávamos de Lápis, grande violonista e compositor paranaense, amigo nosso, falecido precocemente; de Filó Machado, natural desta Ribeirão Preto e cuja carreira vimos começar e assim fomos até chegar nos nomes acima. Lena não lembrava muito do Bobby Mackay, falecido em 1987, mas lembrava sim, da participação dele como cantor nos primeiros grupos que o César montara, incluindo um Som 3 de "calças curtas".

Este era o disco que ouvíamos naquele dia qualquer de um longínquo ano qualquer e ela me chamava atenção para determinadas faixas. Em "I love you Samantha" ela perguntava: - voce percebe o César tocando aqui?. Sim, eu percebia tão acostumado que estava com aquela "canhota" maravilhosa e em outras faixas também. - E a flauta do Meirelles? Não! não imaginava o Meirelles aqui! Bem, "Charade" tem um arranjo que faria o velho Mancini ficar ruborizado, totalmente psicodélica e orgasmática; "Saint Louis Blues" é outra beleza, assim como a sua "No pleasure without pain"; a versão para "Eu e a brisa"...e a bolacha vai rodando cheia de surpresas, não vou estragar. Mackay, pelo visto gostava de Elvis Presley, de Wilson Pickett, dos cantores soul. Os arranjos e piano de várias faixas são do César e em todas as faixas a execução é creditada a Erlon Chaves e sua Orquestra.

Não há a menor possibilidade de encontrar este disco em cd, portanto...

Aproveitem!

1. The impossible dream (Joe Darion / Mitch Leigh)

2. Do-Re-Mi (Rodgers and Hammerstein)

3. Blow here breeze / Eu e a brisa (Johnny Alf)

4. Yellow Bird (Bergman/Bergman/Luboff)

5.I love you Samantha (Cole Porter)

6. Simon says (Elliot Chiprut)

7. How'd we ever get this way (Andy Kim)

8. It´s over (Rodgers)

9. Saint Louis Blues (William Christopher Handy)

10. You´d better love me (Timothy Gray / Hugh Martin)

11. Charade (Mancini)

12. No pleasure without pain (B. Mackay / J. Bradford)















terça-feira, 27 de julho de 2010

Tudo é...Bossa Nova !

























Helium  HLP 36004, 1961


Duas curiosidades sobre este disco: Avena de Castro, citarista de formação erudita, abraçou a MPB e lançou vários discos muito bons como este - também editado pela Masterplay com o título "De Castro Toca e Voce Dança". A segunda curiosidade é que, embora a Helium não tenha divulgado os músicos que acompanham Avena de Castro (grande novidade...) pude notar a presença de Radamés Gnattali nos arranjos e piano e do fabuloso Zé Bodega!
Radamés na base do "achismo", considerando ser ele o arranjador de seus discos anteriores, já o sax do Zé Bodega é inconfundível!

Não existe destaque para nenhuma faixa, todas excelentes com Avena de Castro,falecido em 1981, dando um verdadeiro show na cítara, instrumento de difícil execução.
Google nele (Heitor Avena de Castro) e voces acharão muitas notícias úteis, incluindo a parceria com o pianista gaúcho João Peixoto Primo e a fundação do Clube do Choro de Brasília. Em tempo: a montagem da capa, que é bem legal, e a foto são de Humberto de Carvalho.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1. É Luxo Só
(Ary Barroso / Luis Peixoto)

2. Palpite Infeliz
(Noel Rosa)

3. Não Vou Pra Brasília
(Billy Blanco)

4. Se Acaso Você Chegasse
(Lupicínio Rodrigues / Felisberto Martins)

5. Tentação
(Jorge Roberto)

6. Se Você Soubesse
(Valmurio)

7. Este Seu Olhar
(Tom Jobim)

8. Sorriu Para Mim
(Garoto / Luis Cláudio)

9. E Daí
(Miguel Gustavo)

10. Saudade Fez Um Samba
(Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli)

11. Brigas Nunca Mais
(Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
















segunda-feira, 5 de julho de 2010

Iver´s Brazilians - Omar Izar e Caetano Zama


























London Records - PS-378, 1964


Depois de longas e merecidas férias vamos voltar às postagens. Este disco, muito raro em versão mono, é ainda mais raro na versão estéreo. Trata-se do Iver´s Brazilians, ou sejam: o imenso harmonicista Omar Izar e o violonista e compositor Caetano Zama. Omar morava nos USA desde 1963, quando encantou a platéia americana com seu incrível virtuosismo (trata-se de um auto-didata!) na sua estréia no famoso clube Chateau Madrid. Zama, por sua vez, lá residia desde 1962, quando se apresentou no controverso show de bossanova no Carneggie Hall.
Até comprar esta bolacha confesso que não a conhecia, muito menos a data de seu lançamento (entre 1964 e 1967) mas tudo me faz supor que seja, sem dúvida, de 1964. Como explicar que os tais "Brazilians" tocassem, em maioria no disco, boleros que pouco tinham a ver com o Brasil mas que, por sua vez, faziam parte da trilha sonora dos grandes musicais da Broadway desde a década de 50?

Entretanto nada disto deslustra o disco e os seus músicos. Omar, até hoje na ativa, brilha intensamente acompanhado do violão "correto" do Zama e de ritmistas desconhecidos. Chamo a atenção de voces para as faixas Brazilian Summer, A Brazilian in New York e a introdução de Lamento Borincano, simplesmente sensacional! Por último, depois de muito matutar, cheguei a conclusão que o nome do disco é uma alusão ao estúdio da London Records que ficava na Iver Lane, em Londres, e menciona, grosso modo, que "Iver é brasileira" ou "dos brasileiros".

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1 - Brasil (Ary Barroso)

2 - Noche de ronda (Agustin Lara)

3 - Perfidia (Domingues)

4 - Amor (Ruiz)

5 - Besame mucho (Consuelo Velasques)

6 - Brazilian Summer (Caetano Zama)

7 - Lamento Borincano (Hernandes)

8 - A Brazilian in New York (Omar Izar)

9 - Quizas Quizas Quizas (Farres)

10 - Te quiero dijiste (Pasquale)

11 - Maria Elena (Lorenzo Barcelata)

12 - Como me quieras (Garcia)














Mudança de ventos!

Pedi para uma IA escrever esta postagem e ficou do jeito que voces estão lendo abaixo... Nada tenho contra o uso das IAs para facilitar a no...