terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Renato Mendes - Órgão de Vanguarda - Chantecler 1965




Chantecler - CMG 2363, 1965


Renato Mendes, PhD em órgão erudito, mantém um desconhecido tesouro guardado em seu apartamento na bela Rua Avanhandava em São Paulo: foi o único brasileiro a conquistar o Prêmio de Música Eletrônica Internacional no renomado Festival de Nidden com seu disco "Electronicus", em 1974. Mas isto ninguém sabe, ou pelo menos se interessou em divulgar. Divulgado está a partir de agora. Nascido em São Paulo (por questão de horas teria nascido no Rio de Janeiro) no dia 04/10/1939, Renato começou a tomar gosto pela música popular quando, na década de 60, substituiu Djalma Ferreira na boite Drink, Djalma mudou-se para os EUA. Ele e o também tecladista Juarez Santana, se revezavam na noite paulistana. A par do seu trabalho com a dita "erudita", Renato lançou seu primeiro disco pelo selo Mocambo (R. M. e seu Órgão), em 1962, lançou este aqui e, no ano seguinte, o famoso Boliche Trio que é um dos "sucessos" de downloads aqui no blog.

Vamos lá: os arranjos e o órgão (sim, o que aparece na foto de Oswaldo Micheloni é um órgão de igreja), são do Renato; a bateria está a cargo do genial Arrudinha, o trompete é do não menos genial Papudinho; Theo de Barros comparece em algumas faixas no violão e também em algumas faixas a flauta fica a cargo de Benê (Benedito Chiaradia, aluno do Renato e participante do grupo Ginga Trio). Eu não gostaria de fazer qualquer comentário sobre as faixas, deixo à cargo dos meus possíveis leitores, mas não posso me furtar a dizer que RM "faz a cama" para execuções virtuosísticas de Arrudinha e Papudinho, são sensacionais! Por fim, como curiosidade, o título da música Tuca "Mad and Mam" que, grosso modo, significa "louca porém Lady" foi feita para a cantora Tuca. A propósito, a faixa está com um ruído irritante nos primeiros segundos, não consegui "arrancar" no SoundForge. Outras curiosidades ( vou esperar ele me autorizar a escrever os pseudônimos que usou para gravar vários discos e percebam que são discos muito conhecidos, vai ser surpresa para muita gente...) e melhores detalhes da vida de mais um praticamente desconhecido grande músico brasileiro numa próxima postagem.

Não existe a menor possibilidade de encontrar este disco no formato digital, portanto...

Aproveitem!

1. Terrase
(Theo de Barros)

2. O Ganso
(Luiz Bonfá)

3. Luciana
(Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

4. Menino das Laranjas
(Theo de Barros)

5. Coalhada
(Hermeto Pascoal)

6. Deus Brasileiro
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

7. Tuca "Mad and Mam"
(Renato Mendes)

8. O Cachorro
(Renato Mendes)

9. Sonho de Maria
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

10. Samba de Verão
(Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)

11. Ela Vai, Ela Vem
(Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)














quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Bobby Mackay - The real Bobby Mackay


























RCA Victor - BBL-1465, 1968


Mas o que faz Bobby Mackay num blog que, em tese, trata de musica brasileira? Acho que devo começar perguntando, quem foi Bobby Mackay? Ok, vamos lá e dentro dos meus parcos conhecimentos, portanto qualquer ajuda será muito valiosa: Bobby, Cy Manifold e Dave Gordon nasceram na antiga Guiana Inglesa e vieram para o Brasil praticamente na mesma época, no início dos anos 60.
Cy Manifold ficou no Rio, Mackay e Gordon em São Paulo, onde achavam que teriam mais oportunidades para trabalhar. E não estavam errados...

Há anos, conversávamos eu e minha querida amiga e ex-companheira Lena Camargo Mariano, irmã do César, e o assunto era música, claro. Lembrávamos de Lápis, grande violonista e compositor paranaense, amigo nosso, falecido precocemente; de Filó Machado, natural desta Ribeirão Preto e cuja carreira vimos começar e assim fomos até chegar nos nomes acima. Lena não lembrava muito do Bobby Mackay, falecido em 1987, mas lembrava sim, da participação dele como cantor nos primeiros grupos que o César montara, incluindo um Som 3 de "calças curtas".

Este era o disco que ouvíamos naquele dia qualquer de um longínquo ano qualquer e ela me chamava atenção para determinadas faixas. Em "I love you Samantha" ela perguntava: - voce percebe o César tocando aqui?. Sim, eu percebia tão acostumado que estava com aquela "canhota" maravilhosa e em outras faixas também. - E a flauta do Meirelles? Não! não imaginava o Meirelles aqui! Bem, "Charade" tem um arranjo que faria o velho Mancini ficar ruborizado, totalmente psicodélica e orgasmática; "Saint Louis Blues" é outra beleza, assim como a sua "No pleasure without pain"; a versão para "Eu e a brisa"...e a bolacha vai rodando cheia de surpresas, não vou estragar. Mackay, pelo visto gostava de Elvis Presley, de Wilson Pickett, dos cantores soul. Os arranjos e piano de várias faixas são do César e em todas as faixas a execução é creditada a Erlon Chaves e sua Orquestra.

Não há a menor possibilidade de encontrar este disco em cd, portanto...

Aproveitem!

1. The impossible dream (Joe Darion / Mitch Leigh)

2. Do-Re-Mi (Rodgers and Hammerstein)

3. Blow here breeze / Eu e a brisa (Johnny Alf)

4. Yellow Bird (Bergman/Bergman/Luboff)

5.I love you Samantha (Cole Porter)

6. Simon says (Elliot Chiprut)

7. How'd we ever get this way (Andy Kim)

8. It´s over (Rodgers)

9. Saint Louis Blues (William Christopher Handy)

10. You´d better love me (Timothy Gray / Hugh Martin)

11. Charade (Mancini)

12. No pleasure without pain (B. Mackay / J. Bradford)















terça-feira, 27 de julho de 2010

Tudo é...Bossa Nova !

























Helium  HLP 36004, 1961


Duas curiosidades sobre este disco: Avena de Castro, citarista de formação erudita, abraçou a MPB e lançou vários discos muito bons como este - também editado pela Masterplay com o título "De Castro Toca e Voce Dança". A segunda curiosidade é que, embora a Helium não tenha divulgado os músicos que acompanham Avena de Castro (grande novidade...) pude notar a presença de Radamés Gnattali nos arranjos e piano e do fabuloso Zé Bodega!
Radamés na base do "achismo", considerando ser ele o arranjador de seus discos anteriores, já o sax do Zé Bodega é inconfundível!

Não existe destaque para nenhuma faixa, todas excelentes com Avena de Castro,falecido em 1981, dando um verdadeiro show na cítara, instrumento de difícil execução.
Google nele (Heitor Avena de Castro) e voces acharão muitas notícias úteis, incluindo a parceria com o pianista gaúcho João Peixoto Primo e a fundação do Clube do Choro de Brasília. Em tempo: a montagem da capa, que é bem legal, e a foto são de Humberto de Carvalho.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1. É Luxo Só
(Ary Barroso / Luis Peixoto)

2. Palpite Infeliz
(Noel Rosa)

3. Não Vou Pra Brasília
(Billy Blanco)

4. Se Acaso Você Chegasse
(Lupicínio Rodrigues / Felisberto Martins)

5. Tentação
(Jorge Roberto)

6. Se Você Soubesse
(Valmurio)

7. Este Seu Olhar
(Tom Jobim)

8. Sorriu Para Mim
(Garoto / Luis Cláudio)

9. E Daí
(Miguel Gustavo)

10. Saudade Fez Um Samba
(Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli)

11. Brigas Nunca Mais
(Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
















segunda-feira, 5 de julho de 2010

Iver´s Brazilians - Omar Izar e Caetano Zama


























London Records - PS-378, 1964


Depois de longas e merecidas férias vamos voltar às postagens. Este disco, muito raro em versão mono, é ainda mais raro na versão estéreo. Trata-se do Iver´s Brazilians, ou sejam: o imenso harmonicista Omar Izar e o violonista e compositor Caetano Zama. Omar morava nos USA desde 1963, quando encantou a platéia americana com seu incrível virtuosismo (trata-se de um auto-didata!) na sua estréia no famoso clube Chateau Madrid. Zama, por sua vez, lá residia desde 1962, quando se apresentou no controverso show de bossanova no Carneggie Hall.
Até comprar esta bolacha confesso que não a conhecia, muito menos a data de seu lançamento (entre 1964 e 1967) mas tudo me faz supor que seja, sem dúvida, de 1964. Como explicar que os tais "Brazilians" tocassem, em maioria no disco, boleros que pouco tinham a ver com o Brasil mas que, por sua vez, faziam parte da trilha sonora dos grandes musicais da Broadway desde a década de 50?

Entretanto nada disto deslustra o disco e os seus músicos. Omar, até hoje na ativa, brilha intensamente acompanhado do violão "correto" do Zama e de ritmistas desconhecidos. Chamo a atenção de voces para as faixas Brazilian Summer, A Brazilian in New York e a introdução de Lamento Borincano, simplesmente sensacional! Por último, depois de muito matutar, cheguei a conclusão que o nome do disco é uma alusão ao estúdio da London Records que ficava na Iver Lane, em Londres, e menciona, grosso modo, que "Iver é brasileira" ou "dos brasileiros".

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1 - Brasil (Ary Barroso)

2 - Noche de ronda (Agustin Lara)

3 - Perfidia (Domingues)

4 - Amor (Ruiz)

5 - Besame mucho (Consuelo Velasques)

6 - Brazilian Summer (Caetano Zama)

7 - Lamento Borincano (Hernandes)

8 - A Brazilian in New York (Omar Izar)

9 - Quizas Quizas Quizas (Farres)

10 - Te quiero dijiste (Pasquale)

11 - Maria Elena (Lorenzo Barcelata)

12 - Como me quieras (Garcia)














terça-feira, 18 de maio de 2010

Lloyd McNeill - Tori - Dom Salvador; Dom Um; Naná Vasconcelos

























Baobab Record - BE-654, 1978


Outro disco que encontrei aqui na Itália e achei muito bom! Todas as composições são do americano Lloyd McNeill, músico e artista plástico, e contam com o auxilio mais que luxuoso de Dom Salvador, Dom Um Romão e Naná Vasconcelos. Foge um pouco a nossa linha de postagens (como o anterior do Gimmicks) mas acho importante trazer informações sobre a participação de nossos músicos em discos que só se encontram no exterior. Achei um outro do alemão Frank Valdor, com Neco, Dom Salvador, Paulo Moura e mais uma constelação de músicos brasileiros que será motivo do próximo post.

Chamo a atenção de voces para as faixas Tzigane e Tranquil que são hipnóticas e trazem um trabalho espetacular de Dom Salvador ao piano e Naná Vasconcelos e Dom Um na percussão e vocais. Os demais integrantes do conjunto são: Amaury Tristão (brasileiro, ex-integrante do conjunto Vox Populi) e John LaBarbera nos violões; Buster Williams no baixo; Victor Lewis na bateria; Howard Johnson na tuba,e, naturalmente, Lloyd na flauta e nos arranjos.

Não encontrei informações sobre o relançamento em cd deste disco, portanto...

Aproveitem!

1 O Mercado (Brazilian Market)

2 Tori (Segment One)

3 Tzigane

4 Tori (Segment Two)

5 Sambinha

6 Time Still / Passaro - Pifaro (Flute Bird)

7 Tori (Segment Three)

8 Tranquil















domingo, 9 de maio de 2010

J. T. Meirelles - Gimmicks of Sweden



























Polydor 2379 033, 1972


Encontrei este disco num sebo em Nápoles e corri para compartilhá-lo com voces. É muito raro e sequer consta da discografia oficial do Meirelles e, também, jamais foi lançado em versão digital. Daí a minha euforia quando o comprei! Em 4 de junho de 2008 o Brasil perdia um dos seus maiores músicos, deixo aqui minha homenagem antecipada ao amigo Meirelles.


Os Gimmicks of Sweden foram uma versão sueca do Sergio Mendes e seu Brasil 66. Formado ao redor de Leif Carlqvist, um tremendo tecladista, contava com as ótimas vozes da sueca Anita Strandell e da americana Diana Nunez. Os também suecos Kare Strom, Urban Hansson e Frank Andersson completavam o grupo.





























Meirelles (primeiro à esquerda) e os Gimmicks of Sweden


Consta que Meirelles os conheceu no México, tocando e cantando no hotel Las Brisas. Juntou-se a eles e o sucesso foi tão grande que o grupo o convidou para morar na Suécia onde gravaram este LP. Meirelles fez os arranjos, com umas pitadas de Blood, Sweet and Tears aqui, outras do grupo Chicago ali, mas sem perder de vista um certo "molho" brasileiro, aí sim, calcado no grupo do Sérgio Mendes. Tocou flauta e seu inconfundível sax alto em todas as faixas. É um disco muito gostoso de se ouvir e a faixa Ye-Me-Le foi um grande sucesso na Europa naquele longínquo 1972. Somente a guisa de curiosidade vale ressaltar que os Gimmicks se apresentaram ao lado de nomes tão díspares quanto Ray Charles, Josephine Baker, Tony Bennett e...o grupo de rock T-Rex!

Aproveitem!

1. Calico Baby
(Jeff Kent / Doug Lubahn)

2. It's Too Late
(Toni Stern / Carole King)

3. Colours Of Love
(Gulgowski / Marianne Noel)

4. Somewhere In The Hills
(Ray Gilbert / Tom Jobim)

5. Que maravilha
(Toquinho)

6. Stone Slipper Cindy
(Geist)

7. País Tropical
(Jorge Ben)

8. New York
(Jeff Kent)

9. Our House
(Graham Nash)

10. To the Moon to the Sun
(Gulgowski)

11. Ye-Me-Le
(Chico Feitosa / Luiz Carlos Vinhas)














Mudança de ventos!

Pedi para uma IA escrever esta postagem e ficou do jeito que voces estão lendo abaixo... Nada tenho contra o uso das IAs para facilitar a no...